

A economia digital gerou cerca de 102 mil milhões de euros em valor acrescentado bruto (VAB) e está associada a mais de 3,4 milhões de empregos em Portugal, segundo o Estudo Anual da Economia Digital em Portugal 2026, elaborado pela ACEPI e pela GoingNext, em colaboração com a Porto Business School.
Entre 2019 e 2024, o VAB associado ao digital aumentou 71%, o dobro do crescimento registado pela economia nacional. No mesmo período, o peso da economia digital no VAB do país subiu de 32,3% para 40,4%. Mais de 80% deste valor resulta da integração de tecnologias digitais em setores fora do núcleo tecnológico.
O estudo, que combina dados económicos e estatísticas nacionais e europeias com um inquérito a 140 organizações, estima ainda que a economia digital esteja associada a 240,9 mil milhões de euros em produção, 53,4 mil milhões em remunerações e 34,6 mil milhões em receitas fiscais. A digitalização terá contribuído com mais 36,8 mil milhões de euros para o VAB nacional e estará ligada a cerca de 1,1 milhões de empregos, segundo o estudo.
De acordo com o relatório, Portugal apresenta bons indicadores de conectividade: 29% das ligações fixas já têm velocidades de pelo menos 1 Gbps, acima da média da União Europeia, e a cobertura 5G alcança 99% dos agregados familiares. Mais de 84% dos cidadãos utilizam serviços públicos digitais. Porém, apenas 32% da população tem competências digitais avançadas, e persistem diferenças entre regiões e gerações.
Já a adoção tecnológica pelas empresas continua aquém da média europeia. Em 2025, 11,5% das empresas portuguesas utilizavam inteligência artificial, contra cerca de 20% na União Europeia. Nos serviços avançados de computação em nuvem, a proporção era de 34%, face a 47% na UE. Também a presença online é menor, visto que 63% das empresas nacionais têm um sítio na Internet, contra 79% das europeias.
Por sua vez, o comércio eletrónico ganhou terreno, mas ainda não acompanha o ritmo europeu entre os consumidores. Em 2025, 60,5% dos portugueses fizeram compras online, acima dos 38,7% de 2019, mas abaixo dos 73,6% registados na UE. Já para as empresas, as vendas online representaram 20,6% do volume de negócios, superando a média europeia de 19,5%.
As organizações inquiridas no estudo antecipam mais investimento na transformação digital, já que, entre as que partilharam previsões para 2027, mais de 69% planeiam reforçá-lo. A inteligência artificial e a IA generativa foram apontadas como prioridades por 64%, seguidas da análise de dados, da cibersegurança e da automação. Apesar disso, só 25,9% das organizações têm uma estratégia formal de IA, com orçamento e responsável definidos.
A falta de competências, a segurança e a privacidade dos dados e os custos são os principais obstáculos à adoção destas tecnologias, de acordo com o estudo. O relatório assinala também que, embora 73,4% das organizações inquiridas identifiquem ganhos de produtividade associados à IA, apenas 9,4% referem aumentos de receitas.