

A economia portuguesa passou por uma estagnação no primeiro trimestre de 2026, mas o quadro orçamental revela‑se mais robusto do que esperado, com o excedente de 2025 a criar espaço para acomodar défices moderados em 2026 e 2027, conclui o relatório "Choque Energético e Resiliência Orçamental" do BFF Banking Group, elaborado em parceria com a Nova SBE.
O documento refere que a estagnação trimestral reflete o impacto do conflito no Médio Oriente, a procura externa mais fraca e um choque nos preços da energia, que registaram uma subida homóloga de 13%, contribuindo para um Índice de Preços no Consumidor (IPC) global de 3,4% em abril.
Entre as fragilidades externas destacam‑se também um aumento de 29,9% nos custos unitários do trabalho desde o final de 2019 e perturbações industriais no início de 2026.
Em contrapartida, o investimento despontou como a principal surpresa positiva, sinalizando uma mudança nos motores do crescimento, do consumo para o investimento.
No plano das contas públicas, Portugal atingiu um excedente de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e a dívida pública caiu para 89,7% do PIB — o nível mais baixo desde junho de 2010 — oferecendo margem para absorver choques futuros.
O BFF destaca que Portugal é hoje um caso singular na zona euro, porque combina crescimento acima da média do bloco, um orçamento próximo do equilíbrio e uma dívida abaixo de 90% do PIB em tendência de queda.