

Os jovens utilizaram 62% do montante total atribuído pelo Estado para garantia na compra da primeira casa, desde que a medida entrou em operação (primeiro trimestre de 2025) até ao final de março deste ano, revelou esta quinta-feira, 30 de abril, o Banco de Portugal (BdP). Significa que nos últimos 15 meses foram utilizados 905 milhões de euros do valor disponibilizado até ao fim de março.
Segundo adianta o BdP, foram celebrados 32.338 mil contratos de crédito à habitação própria e permanente com garantia do Estado, num total de 6548 milhões de euros nestes 15 meses. Estes contratos representaram 43,9% dos empréstimos e 46,2% do valor contratado por jovens até aos 35 anos para a aquisição de habitação. O BdP adianta que cerca de metade destes contratos apresentaram valores até 200 mil euros, e 84% tinham maturidades superiores a 35 anos.
Recorde-se que o Governo decidiu reforçar em 750 milhões de euros a garantia pública. Esta decisão, anunciada na passada sexta-feira, eleva o montante total da garantia para 2,3 mil milhões de euros. Na ocasião, o Executivo de Luís Montenegro justificou este reforço pela "adesão significativa que esta medida tem registado".
Mais de metade dos contratos celebrados, por jovens até aos 35 anos, com garantia pública, foram realizados nas regiões do Alentejo, Beira Baixa, Lezíria do Tejo, Terras de Trás-os-Montes, Beiras e Serra da Estrela e Alto Tâmega e Barroso. Na Grande Lisboa e na Região Autónoma da Madeira representaram cerca de um terço.
Os jovens portugueses representavam 86% do total de devedores, seguindo-se os de nacionalidade brasileira, com um peso de 8%. As restantes nacionalidades tinham um peso residual. De acordo com o BdP, esta distribuição é semelhante à verificada nos restantes créditos concedidos para habitação.
Cerca de metade dos devedores tinha entre 26 e 30 anos e 46% dos devedores possuíam ensino superior. A distribuição por género apresentou-se equilibrada.
Já no primeiro trimestre deste ano, foram celebrados 6819 contratos de crédito à habitação neste regime, uma quebra de 11,7% face ao trimestre anterior. Os empréstimos celebrados nos três primeiros meses de 2026 totalizaram 1466 milhões de euros, o que traduz uma quebra de 8,4%, quando comparado com o trimestre precedente.
Os contratos assinados, entre janeiro e março deste ano, corresponderam a 49,5% do número de contratos e a 51,3% do montante total contratado por jovens até aos 35 anos neste período, diz o BdP.
Os contratos com garantia pública representaram 27,9% do número total de contratos e 31,7% do montante do crédito concedido, durante o primeiro trimestre, pelo sistema financeiro para aquisição de habitação própria e permanente.