O setor da construção e imobiliário é aquele que mais vai aumentar as contratações de pessoal nos próximos três meses, entre julho e setembro, em torno dos 36%, estima o inquérito ao emprego do Manpower Group. Um sinal do sobreaquecimento deste mercado com mais procura de habitação do que oferta disponível. A automação surge cada vez mais como a justificativa para os cortes de pessoal.
A projeção revela que se vai manter uma criação líquida de emprego positiva de 18%, o que continua a ser um bom indicador para o mercado de trabalho nacional, em situação de quase pleno emprego. Embora inferior em oito pontos percentuais à estimativa de criação de postos de trabalho verificada no segundo trimestre – o que é atribuído ao cenário de incerteza na economia internacional _ a previsão de recrutamento aumenta face a igual período do ano anterior. E é impulsionada, sobretudo, pelas grandes empresas. Mas também as micro-empresas aumentam trabalhores no verão.
A Manpower destaca, no entanto, que o mercado português parece ser uns dos que manifesta maior prudência nas contratações para este período. Os resultados do inquérito às empresas traduzem “um maior pessimismo dos empregadores nacionais do que o observado noutros mercados, com a projeção nacional a situar-se oito pontos percentuais abaixo da média global (+26%). Ainda assim, o indicador permanece acima do registado no mesmo período de 2025, quando o sentimento dos empregadores caiu para os 16%.
Apesar do contexto internacional marcado pelo aumento das tensões geopolíticas, pela subida dos custos energéticos e pelo abrandamento económico em vários mercados europeus, “Portugal continua a apresentar sinais de resiliência económica e laboral, mantendo intenções de contratação positivas em todos os setores, regiões e dimensões empresariais analisadas”, indica o relatório. Com efeito, só 13% dos patrões atribuem a baixa de admissões ao cenário mundial.
Se tivermos de dividir os empregadores por grupos, concluímos que a grande maioria, quase metade (47%) não estima nem aumentar nem reduzir trabalhadores. Uma fatia superior a um terço ( 35%) planeia aumentar e 17% anteveem cortar postos de trabalho, alguns com a intervenção da automação.
Por setores de atividade, e para lá do grande dinamismo das empresas de construção e imobiliário (+36%), o setor de tecnologias e serviços de IT, também tem perspetivas de contratação sólidas, na ordem dos 32%. A Indústria (+24%) e o comércio e Logística (+22%), surgem em terceiro e quarto lugares. Apesar das expetativas positivas, quase todos esperam contratar menos do que esperavam quando foram questionados três meses antes. Na área da Tecnologia & Serviços de IT, a projeção cai mesmo mais 36% face a igual período do ano anterior.
“Os resultados deste trimestre mostram que as empresas portuguesas continuam a contratar, mas estão a adotar uma postura mais cautelosa perante um contexto internacional mais exigente.” afirma Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup Portugal. “Apesar da desaceleração observada em grande parte da Europa, a economia portuguesa mantém-se resiliente, sustentada pelo consumo privado, pelo investimento e execução do PRR e pelo dinamismo de setores como a construção, a indústria ou o retalho. Ao mesmo tempo, a incerteza geopolítica, o aumento dos custos energéticos e a menor dinâmica económica internacional estão a levar muitas organizações a reavaliar o ritmo dos seus planos de crescimento, com o consequente abrandamento nas contratações.”, observa aquele responsável.
Enquanto o crescimento das empresas é o motor que continua a sustentar as contratações, a automação começa a ganhar relevância entre os motivos apontados pelos empregadores para a redução de equipas. Para contratar, as empresas invocam o crescimento das organizações e a necessidade de recursos dedicados a projetos específicos, referida por 24% dos empregadores. Mas o impacto da escassez de talento em Portugal é bastante evidente, com 22% dos empregadores a referirem o não preenchimento de vagas abertas no trimestre anterior, refletindo a dificuldade dos empregadores de encontrar o talento de que necessitam. Paralelamente, aumenta o foco em competências especializadas, com 17% dos empregadores a indicarem a procura de novas competências para manter a competitividade. Ou seja, há uma “crescente importância da transformação tecnológica e da adaptação dos perfis profissionais às novas exigências do mercado”.
Entre os empregadores que antecipam cortar postos de trabalho, os desafios económicos surgem como o principal fator motivador, apontado por 27% dos inquiridos. Seguem-se a necessidade de reestruturação ou downsizing e os ajustes da força de trabalho à evolução da procura, ambos mencionados por 23% dos empregadores.
Destaca-se ainda o crescimento da automação, e da Inteligência Artificial (IA) como fator que impulsiona a redução de postos de trabalho, com 20% a referirem que diminuiu a necessidade de determinadas funções, registando uma subida de cinco pontos percentuais face ao trimestre anterior. Este indicador sobe da sétima para a quarta posição entre os principais motivos de redução de equipas. Um sinal de que uma nova era está a chegar.