Fiscalidade sobre salários em 2025 sobe na maioria dos países da OCDE para máximo desde 2018

A OCDE destaca que taxa fiscal dos salários aumentou para o conjunto dos membros em 0,15 pontos percentuais, para uma média de 35,1% dos custos laborais.
Mathias Cormann, secretário-geral da OCDE.
Mathias Cormann, secretário-geral da OCDE.Mohammed Badra
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A fiscalidade sobre os salários em 2025 aumentou na maioria dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) pelo quarto ano consecutivo e atingiu o nível máximo desde 2018.

No relatório anual sobre a taxa fiscal dos salários, que é a soma da carga do imposto sobre o rendimento e das contribuições sociais em relação ao que as empresas pagam aos seus trabalhadores, a OCDE destaca que em 2025 aumentou para o conjunto dos membros em 0,15 pontos percentuais, para uma média de 35,1% dos custos laborais.

Esta percentagem, calculada para um empregado com um salário médio, solteiro e sem filhos, que é a referência, aumentou em 24 dos 38 países da OCDE, enquanto diminuiu em 11 e permaneceu inalterada em três.

A maior progressão da carga fiscal em 2025 em termos relativos ocorreu no Reino Unido, com 2,45 pontos percentuais adicionais, embora para um nível inferior à média (concretamente de 32,4%).

Houve também aumentos de mais de um ponto percentual na Estónia (1,95 pontos para 42,6%), na Alemanha (1,34 pontos para 49,3%) e em Israel (1,09 para 26,1%).

No extremo oposto, a carga sobre os salários diminuiu principalmente em Itália (1,21 pontos percentuais para 45,8%), Letónia (1,44 pontos para 40,1%) e Austrália (1,67 pontos para 27,9%).

A lista dos países com a carga fiscal mais alta na OCDE manteve-se quase inalterada no ano passado.

A Bélgica continuou a liderar, com 52,5% de encargos sobre o salário, seguida pela Alemanha, com 49,3%, França, com 47,2%, Áustria, com 47,1%, e Itália, com 45,8%.

Como sempre, os Estados Unidos ficaram bem abaixo da média, com uma carga fiscal de 30%, e, entre os quatro que fechavam a lista, figuravam, além da Nova Zelândia (com 20,8%), três dos quatro membros latino-americanos da organização: México com 21,7%, Chile com 7,5% e Colômbia com 0%.

A Colômbia é um caso particular porque um trabalhador solteiro sem filhos com um salário médio está isento de impostos sobre o rendimento e as suas contribuições para a saúde e a reforma não são considerados fiscalmente, mas em termos de contabilidade oficial são "pagamentos obrigatórios não fiscais".

No que diz respeito ao custo total da mão-de-obra, incluindo a remuneração que recebe o trabalhador e as cargas salariais, o maior era o da Alemanha, onde as empresas tinham que pagar em média 113.595 dólares em paridade de poder de compra.

Em seguida vinham a Suíça (113.350), Bélgica (111.350), Áustria (110.216), Luxemburgo (105.925) e Países Baixos (104.614).

Fechavam a tabela como os países com os custos de mão-de-obra mais baratos os quatro membros latino-americanos da organização: Costa Rica (41.725), Chile (30.615), México (23.537) e Colômbia (20.534).

A OCDE indica que o aumento da carga fiscal tende a pesar nos incentivos ao trabalho e à contratação, ao reduzir o salário líquido e aumentar os custos laborais para os empregadores.

Mathias Cormann, secretário-geral da OCDE.
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