O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) considera que o turismo português entrou numa nova fase de “maturidade”, marcada pela passagem para a “era do crescimento do turismo em valor”.
“Há uma realidade que devemos encarar com clareza e sem medos ou tabus: o crescimento do turismo em Portugal está mais moderado”, afirmou esta segunda-feira, 28 de setembro, Francisco Calheiros, na sessão de abertura da VIII Cimeira do Turismo Português, em Lisboa.
Para o presidente da CTP, a desaceleração não deve ser encarada como um problema, mas sim como um sinal de maturidade: “Deixámos para trás os ritmos de crescimento a dois dígitos que caracterizaram os anos anteriores e isso não é motivo de preocupação. É, pelo contrário, um sinal de maturidade".
“Fechámos o ciclo de crescimento em escala para abrir a era do crescimento do turismo em valor”, frisou, sustentando que um crescimento indefinido não seria sustentável: "nem para o território, nem para as comunidades, nem para a qualidade da experiência que oferecemos a quem nos visita".
Calheiros recorda que o turismo português "praticamente dobrou" em dez anos, entre 2009 e 2019, e que taxas de crescimento semelhantes serão difíceis de repetir. Porém, destacou que Portugal foi, em 2022, "o primeiro país da Europa a repor os números do turismo de 2019", em alusão à quebra no período da pandemia, e que "em 2024, registou um desempenho superior ao de 2023, enquanto em 2025 voltou a crescer face ao ano anterior". "Entre janeiro e julho continuamos a crescer, ainda que de forma mais moderada", acrescentou.
"Enquanto outros destinos europeus debatem hoje limites, taxas e moratórias para travar o turismo que os visita, Portugal escolheu antecipar-se", salientou, defendendo que esta decisão é "uma vantagem competitiva que o país não pode desperdiçar".
Calheiros considerou ainda que "os constrangimentos do maior aeroporto do país são o principal obstáculo ao crescimento do Turismo em Portugal", frisando que o Aeroporto de Lisboa "está a funcionar acima das suas capacidades", enquanto a solução de Alcochete poderá demorar "mais de dez anos até ver a luz do dia".
"Se daqui a dez anos ainda estivermos a explicar aos investidores porque é que Lisboa não tem capacidade aeroportuária, não terá sido a geografia a falhar-nos. Terá sido a decisão", alertou, apelando a uma solução aeroportuária intermédia, "viável em termos de alternativa ao aeroporto da Portela".
O presidente da CTP manifestou ainda o desejo de ver o processo de privatização da TAP terminar "em porto seguro”, garantindo um “bom encaixe financeiro” para o país e a integração da companhia num dos grandes grupos internacionais de aviação, mas com a manutenção do hub de Lisboa e das ligações às ilhas e aos países de língua portuguesa.
Calheiros defendeu ainda menos "complicações burocráticas" para as empresas, uma espécie de "simplex para o Turismo". A redução da carga fiscal, a resolução da falta de mão de obra e a retoma das negociações sobre a revisão da legislação laboral foram outras das prioridades que apontou.