Gasóleo sobe 3 cêntimos por litro, mas gasolina recua 1 cêntimo

Os preços dos dois combustíveis voltam a aproximar-se e ambos deverão rondar os 1,90 euros. Os valores continuam dependentes da guerra no Médio Oriente, já que a falta de oferta condiciona tudo.
Se o seu carro for a gasóleo, abastecê-lo com 50 litros vai custar-lhe esta semana 94,50 euros.
Se o seu carro for a gasóleo, abastecê-lo com 50 litros vai custar-lhe esta semana 94,50 euros. FOTO: Carlos Carneiro / Global Imagens
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Os preços do gasóleo e da gasolina mexem em sentido inverso nos postos de combustível, esta semana.

A serem esta segunda-feira (8 de junho) confirmadas pela ERSE – no seu Relatório Semanal dos Preços de Combustíveis – as estimativas divulgadas pelo ACP no final da semana, o litro de gasóleo simples fica 3 cêntimos mais caro, ao passo que o preço da gasolina 95 baixa 1 cêntimo por litro.

Esta moderação na subida do gasóleo deve-se ao facto de o Governo ter avançado na passada sexta-feira com alterações no desconto extraordinário no ISP através de portaria, contrariando o cenário de estabilidade fiscal que se previa. O desconto no gasóleo foi reforçado em 0,765 cêntimos por litro para mitigar a escalada que se avizinhava, ao passo que na gasolina o ajuste foi apenas marginal (menos 0,021 cêntimos de desconto).

Tendo por base os dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) da passada sexta-feira, dia 5 de junho, o preço médio do litro de gasóleo estava nos 1,86 euros, ao passo que o da gasolina ascendia a 1,928 euros.

Contas feitas com estes novos ajustes fiscais, a partir desta segunda-feira, o preço médio do gasóleo simples vai subir para 1,89 euros por litro, ao passo que a gasolina se fixa nos 1,918 euros. Assim, encher um depósito de 50 litros com gasóleo vai custar cerca de 94,50 euros, e cerca de 95,90 euros com gasolina 95.

Comparativamente, verifica-se que os dois preços voltam a ficar mais próximos, depois de o gasóleo chegar mesmo a ser mais caro que a gasolina no contexto da guerra no Médio Oriente, em função do corte da oferta.

A situação viria mais tarde a inverter-se, repondo-se a tendência histórica, que aponta para o litro de gasolina custar mais do que o de gasóleo.

Em todo o caso, importa fazer a ressalva de que esta estimativa é anterior a serem conhecidas as variações do preço do barril de crude na sessão de sexta-feira dos mercados internacionais.

A partir de hoje, encher um depósito de 50 litros com gasóleo vai custar cerca de 94,50 euros, e cerca de 95,90 euros com gasolina 95.

Na origem da alta nos preços está, desde o início de março, a guerra travada há mais de três meses no Golfo. A razão diz respeito sobretudo aos bloqueios no Estreito de Ormuz, o primeiro dos quais promovido pelo Irão e o seguinte pelos EUA. A consequência imediata foi uma redução do fluxo de petroleiros naquela área, pela qual passa, em condições normais, 20% do comércio mundial de petróleo.

Recorde-se que, além do cenário de dificuldade nos combustíveis para automóveis, várias transportadoras aéreas já reconheceram que registam problemas de escassez de jet fuel (combustível para aviação), já que também este tem por base o crude.

Em causa está a redução da oferta existente em todo o mundo, que resultou numa escalada dos preços, antes de estes estabilizarem (o Brent, por exemplo, que é a referência europeia para os contratos futuros de crude, esteve toda a semana na “casa” dos 100 dólares por barril). Tudo está dependente das perspetivas que estão, em grande parte, ligadas aos mercados de capitais, onde os investidores negoceiam contratos imediatos e futuros de petróleo, provocando agitações ao nível dos preços.

As negociações e os respetivos preços continuam altamente dependentes daquilo que acontece na guerra. Um eventual acordo de paz entre EUA e Irão faria os preços baixarem repentinamente e, por este motivo, a norma dita que se registam descidas quando surgem sinais de que essa possibilidade se aproxima. Por outro lado, quando as tensões crescem, ganha força a perceção de extensão da guerra no tempo, pelo que os preços sobem. São estes os sinais que vão continuar a ditar as regras do jogo, pelo menos até que o contexto se altere.

Voltando atrás, na passada quinta-feira, a Comissão Europeia alertou Portugal e outros 11 Estados-membros da UE para o facto de continuarem sem transpor para as legislações nacionais as regras de sanção previstas no Regulamento ReFuelEU Aviation. O objetivo passa por incentivar à produção e consumo de combustíveis sustentáveis na aviação, em função deste regulamento.

Este é um programa que visa a aplicação de sanções a nível nacional para as empresas que não o respeitem. Foi realizado com o propósito de descarbonizar o setor do transporte aéreo e, por consequência, as economias europeias.

Se o seu carro for a gasóleo, abastecê-lo com 50 litros vai custar-lhe esta semana 94,50 euros.
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