Governo sobe em 60% teto de emissão dos Certificados de Aforro para 16 mil milhões devido à procura

O despacho, publicado em Diário da República, surge após forte adesão das famílias a estes títulos, reduzindo a necessidade de o Estado emitir Obrigações do Tesouro no mercado de capitais.
Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças.
Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças.Foto: D.R.
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O elevado dinamismo demonstrado pelas famílias portuguesas e pelos pequenos investidores motivou o Executivo a rever em alta a fasquia para a emissão de Certificados de Aforro e do Tesouro. O teto máximo estipulado para o corrente ano sofreu uma subida de 60%, avançando dos anteriores dez mil milhões de euros para os atuais 16 mil milhões de euros.

Em despacho oficial publicado esta sexta-feira em Diário da República, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, sustentou que a adesão a estes produtos de poupança pública superou "significativamente" as previsões do Governo. Face a este cenário de forte procura, o governante confirmou a necessidade de reajustar "o limite anteriormente aprovado" para a emissão destes títulos da dívida pública.

A escalada da taxa Euribor tem motivado as famílias portuguesas a transferirem as suas poupanças para os Certificados de Aforro. De acordo com os indicadores oficiais divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal, este instrumento financeiro do Estado captou 5,2 mil milhões de euros em subscrições líquidas — já descontando os resgates efetuados — ao longo dos primeiros nove meses do ano.

Em sentido oposto, os Certificados do Tesouro mantêm uma trajetória de desinvestimento, registando um volume de saídas superior ao de novas entradas. O saldo acumulado fixou-se em valores negativos de 1,4 mil milhões de euros até ao final de setembro, uma tendência que se mantém inalterada mesmo após o Executivo ter lançado, em julho, uma nova série com taxas de juro mais competitivas para tentar atrair os aforradores.

Miranda Sarmento esclareceu que o expressivo canal de poupanças das famílias direcionado para a dívida pública retira a necessidade de o Estado recorrer de forma tão acentuada aos mercados financeiros internacionais.

Perante este cenário, o Executivo avançou com uma revisão em baixa do seu plano de financiamento institucional. O teto máximo para a emissão de Obrigações do Tesouro (OT) foi reduzido de 35 mil milhões de euros para 27,5 mil milhões de euros, enquanto o limite estipulado para os Bilhetes do Tesouro (BT) recuou dos 18 mil milhões de euros iniciais para 15 mil milhões de euros.

Paralelamente, o Executivo justificou o reajuste face ao facto de diversos organismos do setor público administrativo deterem reservas financeiras expressivas. Prevendo que uma fatia substancial destas disponibilidades de capital "se mantenha e transite" para o próximo exercício económico, abrindo espaço à sua aplicação em Certificados Especiais de Dívida de Curto Prazo (CEDIC), o Governo determinou a subida do limite de emissão deste instrumento "de 32 mil milhões de euros para 36,5 mil milhões de euros".

Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças.
Investimento em certificados de aforro avança 16% em setembro para novo máximo
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