Guerra no Irão constitui o principal risco para a estabilidade financeira, aponta BCE

As perspetivas na zona euro "estão a ser moldadas pelo ‘stress’ geoeconómico e pelas interrupções no abastecimento energético”, na perspetiva do banco central.
Christine Lagarde, presidente do BCE.
Christine Lagarde, presidente do BCE. EPA/RONALD WITTEK
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O Banco Central Europeu (BCE) considera que o conflito no Irão é o principal risco para a estabilidade financeira da zona euro, alertando que países altamente endividados poderão enfrentar um agravamento dos prémios de risco caso aumentem a despesa.

O BCE afirmou no Relatório de Estabilidade Financeira, publicado hoje, que “as perspetivas para a estabilidade financeira da zona euro estão a ser moldadas pelo ‘stress’ geoeconómico e pelas interrupções no abastecimento energético”.

A entidade monetária destacou no relatório semestral que ainda se desconhece a gravidade e a duração das consequências.

O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, afirmou ao apresentar o relatório que “o atual impacto na oferta energética coloca riscos de subida para a inflação e de descida para o crescimento económico”.

Também poderá aumentar a volatilidade do mercado e por à prova a capacidade de reembolso da dívida, uma vez que os custos financeiros aumentam num contexto de crescimento económico mais fraco, acrescentou Luis de Guindos na sua última conferência de imprensa como vice-presidente do BCE, uma vez que o seu mandato de oito anos termina a 31 de maio.

O sistema financeiro global e a economia real entraram em 2026 com uma resistência significativa, mas o impacto geoeconómico da guerra no Médio Oriente põe à prova essa resistência, segundo o BCE.

Além disso, a incerteza sobre o comércio global e a cooperação internacional amplificam o ‘stress’ geoeconómico, apesar dos mercados financeiros estarem a ajustar-se.

Ao mesmo tempo, os prémios de risco das obrigações corporativas são baixos em todo o mundo, pelo que o preço é “vulnerável a um nível invulgarmente elevado de incerteza geopolítica e política”, segundo o BCE.

A confiança nos mercados financeiros poderá deteriorar-se, porque os riscos relacionados com os acontecimentos geopolíticos, orçamentais e macrofinanceiros parecem subestimados.

Outra das consequências que a guerra no Irão pode desencadear é um aumento dos prémios de risco da dívida soberana de alguns países altamente endividados, uma vez que a expansão orçamental no novo contexto geopolítico pode exercer uma pressão adicional sobre as finanças públicas, advertiu o BCE.

Os bancos da zona euro têm lidado bem com a atual incerteza, acrescentou o BCE, porque têm “uma rentabilidade sólida e amplas reservas de capital e liquidez”.

No entanto, se as condições do mercado se tornarem mais voláteis, poderão surgir riscos de liquidez e de financiamento devido ao sistema bancário paralelo.

“A qualidade dos ativos dos bancos também poderá deteriorar-se se as condições macrofinanceiras se agravarem significativamente em resultado da guerra no Médio Oriente, embora as suas exposições diretas à região sejam limitadas e concentradas em poucos bancos”, segundo o BCE.

Um conflito prolongado pode ter efeitos negativos nas empresas de setores sensíveis ao comércio, à energia e às taxas de juro, o que, por sua vez, pode deteriorar as condições do mercado de trabalho e exercer pressão sobre o custo de vida das famílias.

O banco salientou também que “os riscos para a cibersegurança e as ameaças híbridas às infraestruturas críticas estão a aumentar neste contexto geopolítico complexo”.

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