

A taxa de inflação em Espanha manteve-se pressionada no arranque do último trimestre do ano. De acordo com uma estimativa rápida avançada esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol, o índice de preços no consumidor registou uma subida homóloga de 4,9% em outubro.
A confirmar-se este indicador provisório, o custo de vida em território espanhol estabilizou no mesmo patamar de crescimento verificado no mês de setembro.
Os dados históricos do organismo estatístico revelam ainda que este valor representa o ritmo de inflação mais elevado no país vizinho nos últimos três anos e meio, aproximando-se dos registos de fevereiro de 2023, período em que a escalada de preços tinha atingido a fasquia dos 6%.
No que diz respeito ao indicador de inflação subjacente — que exclui as componentes de maior volatilidade, como a energia e os produtos agrícolas não transformados —, a estimativa do INE aponta para uma estabilização nos 3,1% em outubro, replicando rigorosamente o valor apurado no mês anterior.
O organismo estatístico esclarece que o comportamento geral dos preços no decorrer deste mês foi influenciado maioritariamente pelo setor dos combustíveis, que registaram uma contração de preços mais acentuada do que a verificada no período homólogo anterior.
Esta dinâmica reflete a eficácia das medidas governamentais em território espanhol, onde vigora desde o arranque de setembro um programa de apoios diretos que garante uma redução de 20 cêntimos por litro no gasóleo e de cinco cêntimos na gasolina.
As medidas de apoio decretadas por Madrid em relação ao gasóleo avançaram no final de agosto, uma resposta direta ao disparo homólogo de 15,7% registado por este combustível no mês de julho.
Em contrapartida, o alívio fiscal destinado à gasolina sofreu um corte progressivo, recuando de um abatimento de dez cêntimos por litro em agosto para uma fasquia de cinco cêntimos em setembro.
Estes bónus integram o pacote de contingência para atenuar as repercussões económicas da instabilidade geopolítica no Médio Oriente, um mecanismo ativado originalmente em março e que o Governo espanhol reestruturou no fecho de junho.
Procura interna impulsiona crescimento de 2,7% do PIB espanhol
A atividade económica em Espanha manteve uma trajetória de solidez entre julho e setembro. De acordo com a estimativa rápida avançada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol, o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma expansão homóloga de 2,7% no terceiro trimestre, enquanto o crescimento em cadeia (face aos três meses anteriores) se fixou nos 0,6%.
Estes indicadores evidenciam uma ligeira aceleração no ritmo homólogo e uma estabilização na variação trimestral, dado que no segundo trimestre do ano a economia espanhola tinha registado uma progressão de 2,6% em termos homólogos e de 0,7% em cadeia.
O organismo estatístico detalha ainda que o desempenho económico no terceiro trimestre foi quase integralmente sustentado pelo motor doméstico. A procura interna — que engloba o consumo das famílias e o investimento empresarial — aportou 2,6 pontos percentuais para a evolução homóloga do PIB. Em contrapartida, a vertente da procura externa, que reflete o saldo entre as exportações e as importações, apresentou um impacto praticamente nulo no resultado final.
As projeções oficiais do governo de Sánchez, atualizadas no encerramento de junho, apontam para uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,6% no conjunto do ano corrente.
No que diz respeito ao horizonte de médio prazo, o Governo espanhol reviu em alta a meta para 2027, antecipando agora um crescimento económico de 2,2% (um acréscimo de uma décima face ao cenário prévio). A expectativa é que a atividade económica sustente um ritmo de progressão acima da fasquia dos 2% até ao ano de 2029.
De acordo com as estimativas macroeconómicas do executivo, a dinâmica de crescimento continuará fortemente ancorada no motor doméstico ao longo dos próximos anos, alavancada tanto pelos gastos das famílias como pelo investimento empresarial.
As projeções oficiais reiteram que o país vizinho manterá um ritmo de expansão superior ao das maiores potências económicas do espaço europeu.
Esta perspetiva de forte dinamismo é partilhada pelas principais instituições internacionais. O Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta para um avanço de 2,5% na atividade económica do país este ano, ao passo que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) alinha-se com a meta governamental, prevendo uma progressão de 2,6% no Produto Interno Bruto (PIB) espanhol.
De resto, o histórico recente validado pelo INE espanhol comprova este desempenho acima da média comunitária, com a economia a registar crescimentos homólogos sucessivos de 2,6% no ano transato, 3,7% no ano anterior e 2,4% no ano de 2023.