

O ritmo de subida dos preços na zona euro acelerou para os 3,8% em setembro, impulsionado pelo forte encarecimento dos produtos energéticos. A tendência foi avançada na mais recente estimativa rápida divulgada pelo Eurostat, o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia.
Este indicador sinaliza um agravamento da inflação na área da moeda única, que se tinha fixado nos 3,2% no mês de agosto. O valor traduz também um salto expressivo face a setembro de 2025, período em que a taxa homóloga se situava nos 2,2%.
No que toca às principais componentes reguladoras da inflação, a energia assume o maior protagonismo com um disparo anual projetado de 18,8% em setembro, face aos 14,3% registados no mês anterior. Seguem-se o setor dos serviços, que avançou para os 3,2%, e a categoria que junta alimentação, álcool e tabaco, com uma subida de 1,4%. Em sentido inverso, os bens industriais não energéticos registaram um ligeiro recuo na taxa anual, situando-se nos 1,1%.
A inflação subjacente — que não inclui a energia nem os alimentos por terem preços muito instáveis — também acelerou de 2,4% para 2,5%. Esta subida preocupa os economistas, pois mostra que o aumento de preços já alastrou a áreas mais estáveis da economia, como a saúde e a educação, o que pode tornar a inflação mais difícil de combater.
Esta vaga de aumentos afetou quase toda a região, com a inflação a acelerar na maioria dos 21 países da zona euro. Apenas quatro economias escaparam a esta tendência de subida, incluindo Portugal, onde a inflação estabilizou nos 3,6% e se manteve abaixo da média europeia. Chipre e a Eslováquia também conseguiram travar a aceleração e mantiveram os seus valores estáveis, enquanto a Letónia foi o único país a registar uma descida efetiva, recuando ligeiramente para os 2,9%.
No topo da tabela da zona euro, o Luxemburgo e Chipre registaram as taxas de inflação mais elevadas com 5,2% em ambos os países, seguidos de perto pela Grécia com 5,1% e por Espanha com 5%. No extremo oposto, as subidas de preços mais contidas da região verificaram-se em Malta, que apresentou a inflação mais baixa com 2,4%, na Finlândia com 2,6% e na Letónia com 2,9%.