

A economia portuguesa cresceu, como já tinha sido avançado há 15 dias, cerca de 2,3% em termos reais e homólogos no primeiro trimestre deste ano, o melhor valor desde o final de 2024, mas este desempenho só foi possível com a subida fulgurante do investimento, muito dele movido com fundos europeus, e de um reforço importante no consumo das famílias, as componentes que formam a procura interna, que compensaram a fatura cada vez mais pesada com as importações.
Segundo os novos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre as contas nacionais e o Produto Interno Bruto (PIB), divulgados esta sexta-feira, o investimento aumentou mais de 9% no primeiro trimestre deste ano face a igual período do ano passado, naquela que é a maior subida desde o final de 2021, mostram as séries do INE.
O consumo privado, o agregado com mais peso no PIB, também ajudou, tendo aumentado 3% em volume. Acelerou face aos 2,8% do quatro trimestre de 2025, mostra o instituto.
Ambas as componentes da chamada procura interna compensaram o aumento pronunciado no custo das importações, que foi de 5,5% no arranque deste ano.
Investimento aumenta muito mas é comprado lá fora
No investimento, que vários analistas referem estar a refletir a execução mais acelerada de fundos europeus, designadamente do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que tem de ser gasto até agosto, o INE explica que o novo investimento (Formação Bruta de Capital Fixo ou FBCF) na componente de Outras Máquinas e Equipamentos "destacou-se com um crescimento homólogo de 27,4% no 1º trimestre, acelerando significativamente face aos 6,1% registados no trimestre anterior, refletindo, em grande medida, o aumento das importações de bens de investimento em máquinas automáticas para processamento de dados".
Além disso, o investimento (FBCF) em Equipamento de Transporte também registou "uma evolução positiva, com um crescimento de 13,3% no 1º trimestre face ao período homólogo, após uma variação de -2,1% no trimestre anterior", diz o INE.
O departamento de estudos do Banco BPI espera que "o investimento (sobretudo público) se revele robusto, refletindo a entrada do PRR no seu último ano e o facto de o mercado de trabalho continuar robusto, apoiando o crescimento via consumo privado".
Em comunicado, o instituto refere que "o Produto Interno Bruto (PIB), em volume, registou uma variação homóloga de 2,3% no 1º trimestre de 2026, taxa superior em 0,4 pontos percentuais (p.p.) à observada no trimestre precedente".
O contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB "aumentou, passando de 3,1 p.p. no 4º trimestre para 4,1 p.p., refletindo a aceleração do Investimento e do Consumo Privado".
Já o "contributo negativo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB acentuou-se no 1º trimestre (de -1,1 p.p. para -1,9 p.p.), tendo a aceleração das importações de bens e serviços mais que compensado a recuperação das exportações", indica o instituto.
Como referido, as compras ao estrangeiro aumentaram mas de 5%, bem mais do que as exportações, mesmo apoiadas pelo poderoso sector do turismo, cresceram apenas 2% no primeiro trimestre deste ano face ao do ano anterior.
Para os economistas do Banco BPI, "o desempenho da procura externa manter-se-á debilitado, continuando as exportações pressionadas pelo baixo crescimento dos principais parceiros comerciais".
"Comparando com o 4º trimestre de 2025, o PIB apresentou uma variação nula em volume, após ter aumentado 0,9% no trimestre anterior", estima o INE na nova edição das contas nacionais trimestrais.