

A Agência Internacional de Energia (AIE) calcula que o encerramento do estreito de Ormuz devido à guerra no Médio Oriente vai provocar um colapso da oferta de petróleo no mundo de oito milhões de barris por dia em março.
No relatório mensal sobre o mercado do petróleo publicado esta quinta-feira, 12, a AIE destaca que com este conflito se está a viver a maior interrupção de fornecimento da história, e precisa que com 98,8 milhões de barris por dia de média este mês, a saída de petróleo para o mercado vai cair para o nível que tinha no primeiro trimestre de 2022.
Esta queda significaria uma queda de 7,5% em relação à oferta que houve no mês de fevereiro.
Segundo os elementos de que dispõe a agência, os fluxos que normalmente passavam pelo estreito de Ormuz (15 milhões de barris por dia de petróleo bruto e cinco milhões de barris por dia de derivados de petróleo) foram reduzidos para menos de 10%.
Essas perdas só poderão ser compensadas a curto prazo, e apenas de forma muito parcial, com um aumento da produção de alguns produtores que não pertencem à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), essencialmente os Estados Unidos, Canadá, bem como a Rússia e o Cazaquistão, que recuperarão uma parte da queda que sofreram em fevereiro.
A AIE anunciou na quarta-feira que os seus 32 países membros vão retirar até 400 milhões de barris das suas reservas estratégicas, a maior operação desse tipo na sua história, para tentar compensar a interrupção do fornecimento pelo estreito de Ormuz e acalmar o mercado.
Os mercados davam como certo desde segunda-feira que a AIE iria recorrer às suas reservas estratégicas, e isso tinha feito baixar o preço do barril desde o pico que tinha alcançado na madrugada daquele dia (o Brent chegou a tocar 120 dólares por barril).
Quando na quarta-feira se soube que os 32 países membros da AIE vão retirar até 400 milhões de barris das suas reservas estratégicas o barril caiu momentaneamente para menos de 90 dólares.
Mas nas horas seguintes voltou a ultrapassar os 100 dólares devido às incertezas sobre a duração da guerra e o tempo em que o estreito de Ormuz continuará bloqueado, e esta manhã, no início do dia, o Brent continuava acima dos 95 dólares por barril.
Na falta de uma resolução rápida do conflito, a agência adverte que esta libertação parcial de um terço do total de suas reservas estratégicas "continua a ser uma medida provisória" e que o impacto final do conflito no mercado de petróleo e gás dependerá dos danos nas infraestruturas energéticas e da duração do bloqueio daquele estreito marítimo fundamental.
A AIE estima que, para o conjunto do ano, a oferta de petróleo subirá em média 1,1 milhões de barris por dia face a 2025, para 107,2 milhões de barris/dia, que traduz uma revisão muito significativa em baixa em relação ao aumento de 2,4 milhões de barris por dia que previa há apenas um mês, antes do início da guerra no Médio Oriente com os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão em 28 de fevereiro.
Serão os produtores que não pertencem ao cartel formado pela OPEP e os seus parceiros que contribuirão integralmente para esse crescimento, e muito particularmente os EUA e o Brasil.
No que diz respeito à procura, os autores do relatório também corrigiram em baixa e de forma significativa as expectativas, já que previam que em março e abril a mesma diminua em cerca de um milhão de barris diários face ao que calculavam no relatório anterior.
A razão fundamental é que se está a consumir menos querosene porque o tráfego aéreo no Médio Oriente foi em grande parte paralisado, com implicações também para o resto do mundo, e porque a paralisação dos fluxos de gás natural liquefeito (GNL) pelo estreito de Ormuz provocou fortes interrupções na cadeia de fornecimento para a produção de gás liquefeito de petróleo.
A médio prazo a AIE antecipa uma mudança nos comportamentos dos consumidores em todo o mundo devido ao aumento dos combustíveis.