Empresas antecipam subida de custos de 5,8% e aumento de preços em 3,5%, aponta BCE

Os empresários da zona euro têm expetativas de um disparo nos custos, mas esperam conseguir absorver uma parte. As expetativas salariais não sobem, de acordo com as conclusões de um estudo do BCE.
Empresas antecipam subida de custos de 5,8% e aumento de preços em 3,5%, aponta BCE
Foto: Maria João Gala/Global Imagens
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As empresas da zona euro preveem um aumento dos custos, incluindo na energia, de 5,8% nos próximos meses devido à guerra no Médio Oriente e uma subida dos preços em 3,5%, segundo o Banco Central Europeu (BCE).

Estas são algumas das conclusões de um inquérito que BCE realizou junto de 10.544 empresas da zona euro entre 19 de fevereiro e 01 de abril, publicado esta segunda-feira, 27 de abril.

No inquérito anterior, do quarto trimestre de 2025, as empresas da zona euro previram um aumento dos custos de 3,6% e dos preços de venda de 2,9%.

Ao mesmo tempo, as expectativas de aumentos salariais das empresas moderaram-se para 2,8% (3,1% no inquérito do trimestre anterior), acrescentou o BCE.

A guerra no Médio Oriente aumentou significativamente os preços de venda das empresas e as expectativas de custos, mas não afetou as expectativas salariais, segundo o banco.

As respostas diárias ao inquérito recolhidas antes e depois de 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão, revelaram que as empresas inquiridas mais tarde tinham expectativas de custos e preços mais elevadas.

No entanto, o BCE salientou que as expectativas de crescimento salarial e de emprego mantiveram-se estáveis.

As empresas da zona euro preveem uma inflação a um ano de 3% (2,6% no inquérito anterior).

Já as expectativas de inflação das empresas para os próximos três e cinco anos também se mantêm nos 3%.

Tanto as grandes empresas como as pequenas e médias empresas (PME) da zona euro, afirmaram que, no primeiro trimestre de 2026, as taxas de juro dos empréstimos bancários subiram mais.

Das inquiridas, 26% afirmaram que as taxas de juro dos empréstimos bancários subiram, em comparação com os 12% do inquérito do quarto trimestre de 2025.

Ao mesmo tempo, 37% das empresas inquiridas pelo BCE sobre o acesso ao financiamento observaram aumentos noutros setores, como despesas e comissões (28% no inquérito anterior), com 14% a referir também aumentos nas exigências de garantias (sem variação em relação ao inquérito anterior).

As necessidades de empréstimos bancários das empresas da zona euro mantiveram-se estáveis no primeiro trimestre do ano.

No entanto, as empresas consideraram que a disponibilidade destes créditos bancários diminuiu ligeiramente e preveem que a disponibilidade de financiamento externo venha a descer ainda mais nos próximos três meses.

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