Filippo_Macchi, CEO Nobile Group
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Italianos do Nobile Group somam investimento de 77 milhões de euros em Portugal

A holding multinacional, com sede em Portugal, vai expandir o negócio da mobilidade com a abertura de mais três balcões da Sicily by Car no Porto, em Faro e no Funchal. Em maio inaugura um restaurante de luxo em Lisboa e em 2027 estreia-se na hotelaria com um boutique hotel na capital e um turismo rural na Comporta.
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Foi depois da pandemia que o italiano Filippo Macchi decidiu trocar o Brasil, onde residia à época, por Portugal. Em 2020, o empresário fez as malas e atravessou o Atlântico para liderar um negócio de exportação de eucalipto, mas rapidamente percebeu o vasto leque de oportunidades em terras lusas. “Fiquei muito impressionado, na altura, com o impacto do turismo e do comércio na cidade de Lisboa”, conta.

O rápido crescimento da atividade, que ganhou gás no pós-covid, foi o mote que levou o empresário a arriscar na restauração. Nos anos seguintes, abriu dois restaurantes e duas gelatarias artesanais e, em 2024, trouxe a insígnia Sicily by Car para o país. A sede de investimento estendeu-se a outras franjas de negócio, como o lifestyle e o coworking e, mais recentemente, criou o Nobile Group para agregar todas as marcas que gere não só em Portugal, mas também em Itália, Espanha e no Brasil.

O grupo prevê elevar a faturação deste ano para os 15 milhões de euros no país, à boleia de um crescimento de 25% na restauração e de 120% na mobilidade. A carteira de novos projetos em território nacional é musculada e, até 2027, o investimento do italiano por cá irá ascender aos 77 milhões de euros.

A maior fatia é alocada à expansão da empresa de rent-a-car - que conta atualmente com dois balcões em Lisboa e um no Porto - com a abertura de mais três espaços: um segundo na Invicta, e as estreias em Faro e no Funchal. Até ao final do ano a frota da Sicily by Car deverá chegar às 2.500 viaturas.

Outra das novidades é a entrada na hotelaria com a abertura das duas primeiras unidades em 2027. Em Lisboa, o grupo irá inaugurar um pequeno boutique hotel de luxo com cerca de oito quartos na zona do Cais do Sodré, num investimento de seis milhões de euros. Já na Comporta está a ser desenvolvido um turismo rural com 12 unidades de alojamento, orçado em 4,5 milhões de euros.

A aposta neste segmento é feita com passos curtos, admite Macchi, que quer primeiro tirar o pulso ao mercado. “O investimento hoteleiro em Portugal é muito forte neste momento e está muito saturado. A especulação imobiliária é fortíssima e absolutamente desproporcionada. Temos de fazer este tipo de investimentos com muito cuidado e é por isso mesmo que começamos com projetos mais pequenos. Vender oito quartos é diferente de vender 300. Queremos apostar mais nesta área e crescer, mas vamos começar com cuidado”, justifica ao DV.

Grupo investe dois milhões de euros em restaurante de luxo

Se a hotelaria é ainda um terreno em exploração pelo Nobile Group, a restauração assume-se já como terreno firme no espectro de negócios da holding multinacional. Atualmente, o portefólio em Portugal integra um espaço dedicado à cozinha portuguesa contemporânea, o Fernando Restaurante, e um outro de gastronomia italiana, o Salotto Divino.

É num terreno de mil metros quadrados adjacente este segundo restaurante, localizado na zona de São Bento, em Lisboa, que Filippo Macchi irá inaugurar, no próximo mês de maio, o Giardino Divino: um ambicioso projeto de luxo que contará com um espaço para eventos com capacidade para 200 pessoas e com uma esplanada para 100 pessoas.

O CEO admite que o projeto de dois milhões de euros é “arriscado” pela sua dimensão e explica que o investimento terá de ser compensado pelo preço cobrado que será “alto”, mas não “desajustado face à qualidade”.

Apesar do atual contexto económico desafiante, Macchi assegura que a restauração premium tem ainda espaço para crescer no país e afiança que os clientes desta fileira não irão perder poder de compra. “Não há restauração de qualidade em Portugal neste segmento e é preciso ter coragem para dizer as coisas. Portugal é um ótimo país para se comer a um nível médio e baixo, mas a franja média alta é mal feita. Os restaurantes que estão, atualmente, a ser impactados com a crise são os pequenos. Basta olhar para os exemplos como o JNcQUOI, que defende um bom serviço, qualidade e a preços altos e continua cheio. Portanto, o cliente do segmento alto continuará a apostar e a escolher estes espaços e é nestes conceitos que é preciso apostar”, diz.

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