Lagarde assegura que BCE tem diferentes opções para reagir ao choque energético

O BCE não será "paralisado pela hesitação" e dispõe de um "leque graduado de opções de resposta" em termos de política monetária, disse Christine Lagarde, sem especificar, no entanto, quais.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu.FOTO: EPA/GIAN EHRENZELLER
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O Banco Central Europeu dispõe de diferentes opções para reagir ao choque energético relacionado com a guerra no Irão, medidas que serão adaptadas em função da amplitude e duração da mesma, assegurou hoje a presidente da instituição.

O BCE não será "paralisado pela hesitação" e dispõe de um "leque graduado de opções de resposta" em termos de política monetária, disse Christine Lagarde, sem especificar, no entanto, quais.

A instituição não agirá "antes de ter informações suficientes sobre a magnitude e a persistência do choque, bem como sobre a propagação" do mesmo, acrescentou.

Segundo Lagarde, tudo será feito para manter a inflação em 2%, um compromisso que permanece "incondicional", enquanto um aumento duradouro dos preços dos hidrocarbonetos poderia provocar uma aceleração da subida dos preços.

Na semana passada, o BCE manteve as taxas diretoras, como desde julho, e publicou uma série de cenários económicos mostrando que os riscos que pesam sobre a inflação não são lineares: quanto mais o choque durar e se intensificar, mais os preços e salários aceleram, com um desvio crescente em relação à meta de 2% se o BCE não reagir.

Assim, choques de oferta de pequena magnitude, pontuais e de curta duração podem ser ignorados, mas "à medida que os desvios esperados em relação ao nosso objetivo de inflação se tornam mais significativos e persistentes, a necessidade de agir torna-se mais forte", insistiu.

A política monetária "não pode fazer os preços da energia caírem", mas o BCE vai monitorizar o risco de ver o atual aumento dos preços do petróleo e do gás provocar uma "inflação generalizada".

A esse respeito, o choque inflacionista provocado em 2022 pela invasão pela Rússia da Ucrânia "deixou marcas", segundo Lagarde.

A situação atual é, no entanto, diferente, explicou Lagarde: no início de 2022, a inflação já estava em 5% num contexto de uma forte procura e escassez pós-Covid, enquanto hoje a recuperação é moderada, a inflação está próxima de 2%, as políticas orçamentais são menos acomodatícias e as taxas do BCE, em 2%, mantêm um caráter restritivo para a economia.

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu.
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