Lucro da Corticeira Amorim cai 20,3% para 55,6 milhões de euros em 2025

Em comunicado à CMVM, a empresa diz que “a rentabilidade foi condicionada pelo ‘mix' de produto e pela retração dos volumes".
Lucro da Corticeira Amorim cai 20,3% para 55,6 milhões de euros em 2025
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O lucro da Corticeira Amorim caiu 20,3%, para 55,6 milhões de euros, em 2025 face a 2024, com a rentabilidade a ser condicionada pelo mix de produto e menores volumes, anunciou hoje o grupo.

Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa de Mozelos, Santa Maria da Feira, detalha que o EBITDA (resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) consolidado atingiu 141 milhões de euros, o que compara com os 157,6 milhões registados em 2024.

Segundo explica, “a rentabilidade foi condicionada pelo ‘mix' de produto e pela retração dos volumes, cujos efeitos foram parcialmente mitigados pela melhoria do preço de consumo de cortiça, pela melhor qualidade dos lotes trabalhados, pelas eficiências operacionais e pelas iniciativas de redução de custos implementadas”.

Como resultado, a margem EBITDA situou-se nos 16,4% no ano passado, abaixo dos 16,8% registados em 2024.

Na assembleia-geral de acionistas agendada para 04 de maio, o Conselho de Administração da Corticeira Amorim vai propor a distribuição de um dividendo bruto total de 0,35 euros por ação, a pagar na totalidade em maio.

No ano passado, as vendas consolidadas da Corticeira Amorim totalizaram 861 milhões de euros, registando uma quebra de 8,3% face ao exercício anterior devido a “pressões sobre os volumes e ‘mix’ de produto decorrentes de um contexto de mercado desafiante”, que afetou todas as unidades de negócio.

Excluindo o efeito de alteração do perímetro de consolidação decorrente da alienação participação na Timberman Denmark, as vendas teriam caído 5,3%.

Já a Amorim Cork Solutions viu as vendas caírem 24,0%, penalizadas por “menores níveis de atividade, particularmente no segmento de pavimentos, e pelo impacto da alteração do perímetro de consolidação”. Excluindo este efeito, o decréscimo das vendas teria sido de 11,4%.

No final de dezembro, a dívida remunerada líquida da Corticeira Amorim ascendia a 75,9 milhões de euros, uma redução de 119,8 milhões face aos 195,7 milhões do final de 2024 que o grupo destaca ter sido possível graças à “forte geração de fluxos de caixa” (175,9 milhões de euros) e apesar do pagamento de dividendos (42,6 milhões) e do investimento em ativo fixo (42,8 milhões).

Citado no comunicado, o presidente e presidente executivo (CEO) da Corticeira Amorim refere que a atividade do grupo em 2025 “foi condicionada por um contexto de elevada incerteza, marcado por tensões geopolíticas e por transformações significativas no comércio internacional, num ambiente de transformação dos hábitos de consumo de álcool que impõe pressões adicionais sobre o setor vitivinícola”.

“A reduzida previsibilidade e a contração da procura levaram os nossos clientes a adotar políticas de compra mais conservadoras e a implementar planos de redução de custos, tendências que se intensificaram ao longo do ano”, explica António Rios de Amorim.

Segundo o CEO, estes desafios “exigiram uma elevada capacidade de adaptação, priorizando-se a proteção da rentabilidade e a redução do nível de endividamento”, continuando a empresa a implementar “iniciativas orientadas para a melhoria da eficiência operacional e para a otimização da estrutura de custos”.

Rios de Amorim afirma ainda que o novo modelo organizativo da Amorim Cork Solutions “produziu benefícios claros”, promovendo a integração das operações do negócio ‘não rolha’ numa única unidade de negócio e posicionando-a como “um relevante ‘driver’ de crescimento a prazo” da Corticeira Amorim.

Relativamente ao exercício em curso, o CEO diz encará-lo “com prudência”, dado o ainda “desafiante” contexto externo, e salienta as “oportunidades de consolidação de mercados e de diferenciação” que se apresentam ao grupo “através de iniciativas estruturais orientadas para competitividade, inovação e sustentabilidade, assegurando a criação de valor a longo prazo”.

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