

A Endesa anunciou um resultado líquido de 1,5 mil milhões no primeiro semestre de 2026, um aumento de 41% face ao mesmo período do ano anterior, resultado de crescimento em todas as áreas de negócio e do maior contributo das atividades reguladas, bem como de alguns efeitos não recorrentes positivos.
O EBITDA semestral situou‑se em 3,2 mil milhões (+20% face a igual período de 2025), sendo as atividades reguladas responsáveis por 50% desse montante.
Em consequência do desempenho, a empresa elevou a sua previsão para o resultado líquido ordinário anual, esperando que fique acima de 2,4 mil milhões.
No mercado grossista ibérico, o preço médio no semestre foi de 73 euros/MWh, incluindo um custo médio de 23 euros/MWh em serviços complementares — valor 8% inferior ao do período homólogo de 2025. A procura ajustada cresceu cerca de 1%, impulsionada pelo consumo doméstico, serviços e indústria.
O investimento bruto cresceu 14% nos primeiros seis meses, para 1,1 mil milhões, com 52% do capex alocado à rede de distribuição.
A Endesa aumentou o investimento em redes em 38%, para 600 milhões, e a atividade de distribuição passou a representar 36% do EBITDA (1,2 mil milhões, +24% ano a ano).
A produção renovável subiu 11%, para 11 TWh, reforçando um mix com 86% da produção peninsular proveniente de tecnologias sem emissões.
No negócio de comercialização, a carteira de clientes em livre mercado situou‑se nos 6,3 milhões.
Financeiramente, a Endesa gerou 2,3 mil milhões de cash flow no semestre e encerrou com dívida líquida de 10,3 mil milhões (contra 10,1 mil milhões em 2025).
A margem unitária da eletricidade no mercado livre situou‑se em 56 euros/MWh (+6% ano a ano), apesar dos custos com serviços complementares, enquanto a margem unitária do gás ficou em 11 euros/MWh (+7% em relação ao período homólogo), beneficiando da redução dos volumes vendidos.
No capítulo de eficiência, os custos fixos desceram 8%, para pouco mais de mil milhões, resultado de um programa de transformação com mais de 500 iniciativas de simplificação, digitalização e otimização de ativos.
Quanto ao retorno aos acionistas, a Endesa já executou mais de 50% do programa de recompra de ações, adquirindo 35 milhões de ações por 1,1 mil milhões dos dois mil milhões previstos, e amortizou 17 milhões de ações. A empresa lançou a sexta tranche do programa, no valor de 500 milhões.
A Endesa identifica como principais desafios futuros acelerar investimentos nas redes para suportar a eletrificação, facilitar novas ligações industriais para a descarbonização da procura e consolidar o modelo de empresa integrada — prioridades que, segundo a empresa, representam uma vantagem competitiva num contexto de elevada volatilidade dos mercados.