

O presidente do Brasil afirmou que a elevada dívida pública do Brasil, considerada uma das maiores ameaças à estabilidade orçamental, não é motivo de "pânico", devido às elevadas reservas internacionais de que o país dispõe.
Numa entrevista concedida no domingo à rede de televisão Bandeirantes, Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que a dívida pública é motivo de preocupação porque "não é bom dever mais do que se recebe" e comprometeu-se a, caso seja reeleito, a envidar esforços para reduzir o endividamento.
No entanto, esclareceu que a dívida não lhe "causa pânico" porque o Brasil dispõe de cerca de 370 mil milhões de dólares (325 mil milhões de euros) em reservas internacionais, um valor que, segundo o chefe de Estado, o país começou a acumular em 2005, no seu primeiro mandato, face à necessidade de contar com "uma almofada de segurança".
De acordo com dados do Banco Central, a dívida pública brasileira, que equivalia a 71% do produto interno bruto (PIB) quando Lula assumiu o terceiro mandato, em 2023, atingiu este ano o equivalente a 83% do produto e, nas circunstâncias atuais, pode chegar a 89% do PIB em 2029.
Lula comprometeu-se a adotar medidas para reduzir a dívida, mas esclareceu que o fará sem reduzir as despesas públicas que considera necessárias e que aumentaram no atual mandato.
"Vamos reduzir essa dívida pública, mas conscientes de que há despesas necessárias. Vamos continuar a ajudar os mais pobres, vamos continuar a aumentar o salário mínimo acima da inflação e vamos continuar a reajustar as despesas que é preciso reajustar", afirmou.
O líder progressista afirmou que, apesar do aumento das despesas e de três anos de défice, o Brasil terminará 2026 com um excedente primário nas contas públicas equivalente a 0,1% do PIB.
Apesar de ser considerado a referência no Brasil, o saldo primário, que consiste na diferença entre receitas e despesas do Governo, sem contar com serviço da dívida, ao não considerar as despesas com juros gerados pela dívida nem com outras obrigações, esconde uma realidade importante: nos últimos 12 meses, até julho, o Brasil acumulou um défice orçamental equivalente a 9,34% do PIB.
"Tenho um compromisso com as contas públicas. Fui o único presidente deste país e o único do G20 que conseguiu obter um superávit primário nos meus oito anos [relativos aos dois primeiros mandatos], mas assumi [em 2023] um país falido, com a máquina estatal podre e desmontada, e tivemos de o reconstruir", afirmou Lula.
O atual Presidente lidera as sondagens de intenção de voto para as eleições de 04 de outubro, mas está tecnicamente empatado com o senador da oposição, Flávio Bolsonaro, numa segunda volta, agendada para 25 de outubro, caso nenhum dos candidatos obtenha mais de 50% dos votos na primeira ronda.
O chefe de Estado acrescentou que, após três anos a reconstruir a economia, o Brasil terminará o ano com um excedente primário, que pode ser pequeno, mas que demonstra que é possível sanear as contas públicas com a inflação sob controlo.
O líder progressista afirmou ainda que a melhor forma de reduzir a dívida é promover o crescimento económico e lamentou que, antes de regressar ao poder, o Brasil tivesse acumulado seis anos sem crescimento.
Lula assegurou que, no contexto da atual desaceleração da economia brasileira - que deverá crescer 1,9% este ano, após uma expansão de 3,4% em 2024 e de 2,3% em 2025 - para voltar a crescer, é necessário que o Banco Central continue a reduzir as taxas de juro, atualmente em 13,75% ao ano, um dos níveis mais elevados dos últimos 20 anos.