Mais de 600 reclamações relacionadas com descontos nos supermercados chegam ao Portal da Queixa

Atendimento e experiência do cliente são o principal motivo de reclamação, devido a atendimento ineficiente, tempos de espera, falta de pessoal, falhas de comunicação e problemas nos canais digitais.
Mais de 600 reclamações relacionadas com descontos nos supermercados chegam ao Portal da Queixa
Leonardo Negrão
Publicado a: 

As reclamações recebidas pelo Portal da Queixa sobre promoções, descontos e cupões nos supermercados já ultrapassaram, em menos de dez meses, o total registado durante todo o ano de 2025.

Desde o início do ano, o Portal da Queixa contabilizou 626 reclamações nesta área, face às 583 registadas no ano passado.

Estes dados acompanham a tendência de crescimento da insatisfação no setor, uma vez que desde o início do ano foram registadas 3.406 reclamações, mais 19,8% do que no mesmo período de 2025 (2.843).

As reclamações relacionadas com promoções, benefícios e ofertas representam 18,77% das queixas dirigidas ao setor dos Hipermercados e Supermercados em 2026, o que representa uma subida de cerca de seis pontos percentuais em relação ao ano passado (12,65%). Entre os problemas reportados estão descontos não aplicados, cupões e códigos promocionais que não funcionam, incumprimento das condições, e programas de fidelização.

Ainda assim, o atendimento e a experiência do cliente são o principal motivo de reclamação, representando 27,78% do total, nomeadamente situações de atendimento ineficiente, tempos de espera, falta de pessoal, falhas de comunicação e problemas nos canais digitais.

Logo a seguir vem a qualidade e a segurança dos produtos, que correspondem a 25,93% das reclamações (abaixo dos 27,97% registados em 2025), tendo sido relatados casos de produtos impróprios para consumo, produtos danificados ou defeituosos, falta de condições de segurança, erros de embalagem e de peso.

Os produtos mais mencionados nas reclamações são os produtos alimentares (40,37%), sendo o talho e a charcutaria o grupo com maior expressão, com 10,66%, seguido das bebidas (9,15%); mercearia e congelados (7,56%); frutas e legumes (6,56%).

Os hipermercados concentram a maior parcela das reclamações (53,70%), seguidos dos supermercados de grande retalho (43,83%). Face ao período homólogo, as reclamações aumentaram 21,69% nos hipermercados e 21,09% nos supermercados de grande retalho.

As reclamações relacionadas com automação e falta de atendimento humano passaram de 44 em 2024 para 89 em 2026, considerando o mesmo período de cada ano. Entre as situações reportadas estão a substituição de caixas com atendimento por caixas automáticas e a perceção de que os consumidores passaram a assumir tarefas anteriormente asseguradas por funcionários.

Lisboa concentra 34,09% das reclamações registadas em 2026, seguida do Porto (16,82%) e de Setúbal (12,42%). Por faixa etária, os consumidores entre os 35 e os 44 anos representam a maior parcela dos queixosos (25,78%), de acordo com um comunicado enviado às redações.

“Os dados mostram que a experiência de compra vai muito além do preço anunciado. Quando os consumidores procuram poupar através de promoções e programas de fidelização, esperam que as condições comunicadas sejam cumpridas e que os benefícios sejam efetivamente aplicados. Ao mesmo tempo, o crescimento das reclamações associadas à automação alerta para a importância de não dissociar a eficiência operacional da qualidade do atendimento. A transformação do retalho deve responder às necessidades dos consumidores, combinando inovação, transparência e assistência sempre que necessária", afirmou Pedro Lourenço, Fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, citado pela nota.

Diário de Notícias
www.dn.pt