

A Câmara de Matosinhos lançou um concurso público de 8,7 milhões de euros para comprar seis autocarros elétricos para o metrobus, bem como o respetivo equipamento de carregamento, foi hoje publicado.
De acordo com um anúncio hoje publicado em Diário da República (DR), em causa está o concurso para o "fornecimento e manutenção de autocarros elétricos e equipamento de carregamento de oportunidade para o BRT/metrobus de Leça da Palmeira".
O procedimento já tinha sido aprovado em Assembleia Municipal, conforme noticiado pela Lusa na semana passada, e as propostas para fornecer os seis veículos podem ser apresentadas até dia 24 de junho, tendo o contrato duração de 15 anos.
De acordo com o caderno de encargos, o preço base de 8,74 milhões de euros divide-se em 5,1 milhões para o fornecimento dos seis autocarros elétricos articulados, 3,465 milhões de euros para os serviços de manutenção preventiva e corretiva por 15 anos, 100 mil euros para o equipamento elétrico de carregamento e 81 mil euros para a manutenção desse equipamento, também durante 15 anos.
O preço previsto por autocarro é um máximo de 850 mil euros mais IVA, e os autocarros articulados deverão ter 18 metros de comprimento, sendo também requisitos uma velocidade máxima de 70 km/h, autonomia mínima de 170 quilómetros, e preparação para temperatura do ar ambiente entre -5º e 45ºC.
"Os veículos a fornecer deverão ter seis portas duplas, três de cada lado, distribuídas pelo corpo principal – uma entre os eixos, e duas no atrelado", e "propostas com lotação total inferior a 140 lugares ou inferior a 35 lugares sentados serão excluídas".
Segundo a documentação, "o primeiro autocarro (protótipo) deverá ser entregue em novembro de 2026 e os restantes cinco até ao dia 20 do mês de dezembro de 2026".
Já o sistema de carregamento elétrico será "fornecido e instalado na futura estação do 'BRT/Metrobus Leça da Palmeira', a localizar junto ao Mercado de Matosinhos, fazendo-se as operações de manutenção, preventiva e corretiva, 'in situ'", pode ler-se no caderno de encargos.
As paragens do metrobus de Matosinhos terão cobertura integral e a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) deverá operar o serviço.
A presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro (PS), admitiu na semana passada que o calendário inicial da empreitada, dezembro de 2026, teve alterações, algumas da iniciativa da própria autarquia, relacionadas, por exemplo, com o Rali de Portugal, com as festas do Senhor de Matosinhos ou até com condições climatéricas em fevereiro.
A socialista reconheceu que "há um desvio do prazo e também há, previsivelmente, trabalhos a mais de grande significado" para serem realizados.
Em causa estão 9,75 quilómetros, dos quais 1,2 na Maia, com 11 estações: Mercado, Senhor de Matosinhos, Exponor/Leça da Palmeira, Veloso Salgado/Centro de Investigação Inovação e Incubação da Universidade do Porto, MarShopping, Jomar, OPO City, Mário Brito, Aeroporto, Botica e Verdes.
Estão previstos interfaces com o Metro do Porto no Mercado, Senhor de Matosinhos, Botica e Verdes.
O serviço terá uma velocidade média de 25 quilómetros por hora e perfis diferenciados de via, dividindo-se entre via dupla, via única bidirecional e inserção no trânsito banalizado, ou seja, não será um metrobus totalmente separado do restante tráfego.
Terá ainda uma "frequência de 15 minutos, quatro circulações por hora e por sentido, nas horas de ponta" e de 20 minutos "nos horários de menor procura", com integração na rede tarifária Andante.
O percurso, que atravessará a ponte da Autoestrada 28 (A28) sobre o rio Leça, será feito com autocarros articulados elétricos de lotação mínima de 140 lugares.
A empreitada custa 23 milhões de euros e é financiada pelo Fundo de Transição Justa (FTJ) no âmbito do encerramento da refinaria de Leça da Palmeira.