Medidas do Governo para combustíveis são insuficientes, dizem ANTRAM e CAP. Fatura vai para os consumidores

O "bom" exemplo de Espanha no apoio às empresas nesta nova crise energética é realçado pelos setores agrícola e de transporte de mercadorias, que alertam para a perda de competitividade na Ibéria.
Medidas do Governo para combustíveis são insuficientes, dizem ANTRAM e CAP. Fatura vai para os consumidores
Nuno Veiga/Lusa
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As medidas anunciadas pelo Governo, para apoiar as empresas de transporte e do setor da agricultura a suportar o elevado custo dos combustíveis, não são suficientes para mitigar esta crise, dizem a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) e a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). As duas organizações avisam que a fatura do crescente aumento dos preços do gasóleo será paga pelo consumidor e lembram a perda de competitividade face à vizinha Espanha.

As empresas de transportes "vivem hoje a situação mais periclitante das suas vidas", diz o porta-voz da ANTRAM, André Matias de Almeida. Desde o início do ano, "o aumento do custo do gasóleo é da ordem dos 40%", frisa. As transportadoras estão a pagar atualmente "mais de mil euros por mês de combustível por camião", afirma. E alerta: "o setor está a sofrer com as perdas de competitividade para as empresas espanholas".

Segundo André Matias de Almeida, o que a ANTRAM ouviu do Governo "é parco, uma gota no oceano". Mas "aguarda pela concretização das medidas anunciadas" e "mantém o diálogo com o Governo". Depois, "tomará a sua decisão", não colocando de parte uma paralisação semelhante à que ocorreu em 2008, devido à subida galopante e recorde do preço do gasóleo na altura.

André Matias de Almeida sublinha ainda que "por uma questão de sobrevivência" das empresas, o aumento do preço do gasóleo será repercutido aos clientes. "Terá as consequências que terá na economia", diz.

Luís Mira, secretário geral da CAP, admite também que os crescentes custos que estão a afetar o setor vão recair sobre o consumidor. Aliás, os portugueses já sentem o agravamento do preço dos alimentos, mas é de esperar uma agudização no início da nova campanha agrícola, que arranca em outubro. Como explica Luís Mira, há produtos agrícolas que ainda não refletem na totalidade estes custos porque são de contratos fechados anteriormente.

Para a CAP, as medidas do Governo para apoiar o setor "são simbólicas, insignificantes". O Executivo "está a colocar em causa a competitividade da agricultura" em Portugal, salienta. Luís Mira diz mesmo que "este Governo abandonou a agricultura", lembrando que Espanha tem sido rápida em apoiar os agricultores e em criar soluções para garantir a competitividade das suas empresas. Como frisa, "o Governo atribuiu 20 milhões de euros para apoiar o aumento do preço dos fertilizantes e Espanha avançou com 650 milhões". Adianta também que dos dez milhões de euros previstos para compensar os agricultores portugueses pela subida do preço do gasóleo, o Executivo só avançou com 5,9 milhões.

Luís Mira realça mesmo que o ministro da tutela, José Manuel Fernandes, "está totalmente esquecido do setor". Recorda que "a Comissão Europeia, consciente das dificuldades do setor agrícola, lançou duas medidas: uma reserva de crise, que disponibiliza a Portugal 9,7 milhões de euros, e a reprogramação da Política Agrícola Comum (PAC) nacional, para com este dinheiro ajudar os agricultores". Segundo diz, o Estado português não vai acompanhar a Europa neste apoio via reprogramação da PAC.

De salientar que a CAP tem agendada uma reunião com os seus associados para a próxima segunda-feira, 28 de setembro, para debater esta crise e preparar reivindicações.

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