Menzies Portugal inicia processo para dispensar nove trabalhadores
A Menzies Portugal iniciou um processo para dispensar pelo menos nove trabalhadores cujas funções “são redundantes no contexto do grupo”, confirmou ao Diário de Notícias a empresa que presta serviços de assistência em escala (handling) nos aeroportos nacionais.
Fonte oficial da Menzies (dona da SPdH - Serviços Portugueses de Handling) afastou a ideia de que o processo irá avançar para um despedimento coletivo, uma ideia avançada anteriormente ao DN por um trabalhador da empresa que solicitou o anonimato e por uma fonte de um dos 12 sindicatos que representam trabalhadores da Menzies.
“A lista de pessoas a quem vai ser imposto o Despedimento Colectivo (mais um, depois do do ano passado) já existe e essas pessoas já foram identificadas e contatadas (do Corporate e das Operações, com enfoque na Carga, de onde já foi despedido o diretor contratado há pouco tempo”, informou inicialmente o trabalhador em causa.
Uma fonte de outro dos sindicatos adiantou ao DN que a medida afetaria entre 20 e 30 trabalhadores, suscitada no âmbito de uma reestruturação da operação de Carga. A empresa desmentiu o número, referiu que se trata de “menos de dez [nove] trabalhadores no contexto de uma empresa com três mil colaboradores”, mas não deu pormenores sobre de que áreas estão a ser contactados trabalhadores com vista à saída.
Fonte sindical também adiantou o contexto em que o processo de rescisões acontece. É que a Menzies terá perdido nas últimas semanas, para a Portway, o contrato de handling para a Air France–KLM no aeroporto de Lisboa. Trata-se de um dos maiores contratos handling que a Menzies Portugal tinha.
Questionado sobre se a dispensa de trabalhadores tinha a ver com a perda de clientes, a Menzies não respondeu.
O Jornal Económico noticiou a perda do contrato da Air France por parte da Menzies em finais de agosto, afirmando que a Air France e a KLM eram “clientes históricos” da SPdH em hubs como Lisboa e Porto. E cita uma fonte do setor da aviação a constatar “nunca, desde que a SPdH (agora Menzies) existe há quase 25 anos, um cliente com esta importância saiu para a Portway”. O mesmo jornal sugere que a decisão da Air France/KLM pode estar relacionada com “o aumento de preços praticados pelas Menzies” e “uma alegada degradação do serviço”.
O trabalhador da empresa que inicialmente contactou o DN fala numa outra razão. “A Menzies não avança já para o Despedimento Coletivo porque não quer que a ANAC saiba que vai despedir mais gente (e todas com muita experiência e em funções chave, logo críticas) antes de fechar o tema das licenças”.
A referência ao tema das licenças prende-se com o facto de a Menzies Portugal ter sido o operador escolhido pela ANAC para fazer o handling nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, num processo que levou à intervenção do governo, a uma venda de participação que a TAP tinha na Menzies e ao afastamento do concorrente que tinha ganhado o concurso inicial, os espanhóis da Clece-South.
“A várias destas pessoas foram-lhes retiradas as funções e estão neste momento em casa sem nada fazer, mas ainda a receber o salário por inteiro”, concluiu ainda o mesmo trabalhador.
O processo de rescisões na Menzies Portugal também ocorre num momento em que a Menzies detém 100% da SPdH, após a compra de 49,9% à TAP, um negócio anunciado em maio. “A TAP informa que celebrou com a Menzies Aviation e com a SPdH os contratos relativos à alienação à Menzies da totalidade da participação detida pela TAP no capital social da SPdH (49,9%) e à continuidade da prestação de serviços de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Funchal/Porto Santo”, informou a companhia em comunicado.
ODiário de Notícias perguntou ainda à Menzies se, no seguimento da libertação de vagas no quadro com o atual e futuros processo de rescisões, vai haver contratações subsequentes para reforçar áreas da empresa, mas não obteve resposta.
Com Amanda Lima

