O multimilionário Elon Musk já não é "trilionário" (bilionário, na verdade)... pelo menos até ver. Agora o Fisco não perdoa...
O multimilionário Elon Musk já não é "trilionário" (bilionário, na verdade)... pelo menos até ver. Agora o Fisco não perdoa...DR

Mercado corrige e SpaceX recua em bolsa. Regras fiscais deixam colaboradores em maus lençóis

A descida das ações na Nasdaq reduziu a avaliação patrimonial de Elon Musk, retirando-lhe o estatuto de "trilionário" na quarta-feira. Mas se a flutuação da riqueza do fundador decorre da normal volatilidade do mercado, para os trabalhadores da tecnológica o principal desafio reside no calendário de liquidez e nas normas tributárias impostas pelo governo.
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A recente correção das ações da SpaceX na Nasdaq, após terem atingido o máximo histórico de 225 dólares, resultou (na quarta-feira, 24 de junho) numa diminuição do património pessoal de Elon Musk para cerca de 970 mil milhões de dólares. Embora o empresário mantenha a liderança no ranking global de riqueza, este recuo reflete a volatilidade dos mercados públicos após um dos maiores IPO da história financeira.

Analistas de mercado apontam que a desvalorização de cerca de 30% a partir do pico constitui um movimento técnico de ajustamento e não reflete fragilidades na atividade operacional ou financeira da empresa — houve uma forte pressão vendedora por parte de investidores institucionais que quiseram garantir os lucros do fulgor inicial (o que era expectável) e, logo de seguida, surgiu o anúncio de que a SpaceX irá emitir, pela primeira vez, pelo menos 20 mil milhões de dólares em obrigações de nível de investimento (senior unsecured notes), o que assustou os investidores mais conservadores em relação à carga de dívida da empresa.

Mas o principal foco de atenção regulatória e financeira deverá recair agora sobre as condições de liquidez dos colaboradores da tecnológica, ainda que não por motivos económicos puros.

Durante a fase de valorização dos títulos, os engenheiros e técnicos da SpaceX estiveram impedidos de transacionar ações devido ao período de lock-up — um bloqueio contratual que impede a venda de títulos no mercado público pela maioria dos trabalhadores até dezembro. A este desfasamento temporal associam-se as regras do sistema fiscal dos Estados Unidos, que determinam o enquadramento das mais-valias obtidas.

Os colaboradores que não exerceram as suas opções de compra de incentivo (ISO) antes da estreia bolsista perderam o prazo legal para aceder à taxa reduzida de mais-valias a longo prazo. No encerramento do período de bloqueio, no final do ano, as mais-valias geradas por exercícios diretos serão tributadas como rendimento regular (Ordinary Income), sujeitas a taxas federais e estaduais combinadas que podem ultrapassar os 40% no Estado da Califórnia.

Para quem exerceu as opções imediatamente antes do IPO, o enquadramento fiscal apresenta outras especificidades. O exercício gerou mais-valias não-realizadas (no papel), calculadas com base no valor de referência na altura. Para efeitos fiscais federais, este ganho virtual ativa o Imposto Mínimo Alternativo (AMT), gerando obrigações tributárias imediatas sobre riqueza não-liquidada.

Caso o mercado mantenha a tendência de correção e as ações desvalorizem até dezembro, os funcionários que exerceram as opções correm o risco de enfrentar faturas fiscais calculadas sobre valores históricos superiores ao valor real de mercado dos títulos no momento em que os puderem efetivamente vender.

Assim, enquanto a variação do património de Musk é ditada pelas flutuações diárias da bolsa, os colaboradores enfrentam um impacto que é decorrente da aplicação das normas fiscais impostas pelos governos, estadual e federal.

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