

A Microsoft anunciou esta semana o lançamento oficial do Project Perception, um sistema de cibersegurança de última geração desenhado para combater a crescente vaga de ameaças digitais impulsionadas por Inteligência Artificial. A nova solução, que entra em fase de testes públicos (Public Preview) a 3 de agosto, representa uma viragem estrutural na forma como as organizações se defendem num ecossistema onde a velocidade dos atacantes ultrapassou a capacidade de resposta puramente humana.
Durante a apresentação do sistema, em San Francisco, Hayete Gallot, vice-presidente executiva de Segurança da Microsoft, alertou que "a física da cibersegurança mudou fundamentalmente". A responsável destacou o dilema atual das empresas: "Hoje em dia, os nossos clientes têm de escolher entre inovação e segurança. E isso não é aceitável."
Gallot explicou que as ciberameaças evoluíram de operações assistidas para campanhas executadas por agentes autónomos, citando um ataque recente a 30 organizações globais onde cerca de 90% das fases da operação foram conduzidas por IA a uma velocidade impressionante de 15.000 pedidos por segundo.
Para repor o equilíbrio defensivo, a Microsoft desenvolveu uma nova camada tecnológica (Cyber Stack) suportada por três “equipas de agentes” especializados:
Os Red Team Agents — agentes ofensivos, que simulam ciberataques em tempo real e identificam vulnerabilidades antes que sejam exploradas.
Os Blue Team Agents — agentes defensivos, que investigam incidentes, analisam o contexto e redigem regras de deteção em linguagens como KQL.
E os Green Team Agents — agentes de remediação, que aplicam correções na infraestrutura digital, alteram configurações e produzem soluções no código-fonte.
"Acreditamos fundamentalmente que precisamos de agentes para combater agentes", afirmou Dave Weston, líder de engenharia do Project Perception, sublinhando que a ferramenta permite passar da simples deteção de problemas para a sua resolução em minutos.
Outro dos pontos altos do evento foi o anúncio do modelo especializado MAI-Cyber-1-Flash, integrado no módulo de gestão de vulnerabilidades (M-Dash). Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, realçou que a combinação de modelos permitiu atingir "um desempenho líder mundial a metade do custo" que está, afimrou, a alcançar uma taxa de sucesso recorde de 96% no benchmark de indústria CyberGym.