

O ministro das Finanças admitiu esta sexta-feira que a nova ameaça norte-americana de novas tarifas à União Europeia (UE) representa mais um fator de “volatilidade e incerteza” para o comércio internacional, considerando que tais medidas prejudicam economias e consumidores.
“Nunca sabemos [se as ameaças se vão concretizar] porque a volatilidade e a incerteza nesse aspeto é sempre muito grande”, disse Joaquim Miranda Sarmento, falando à agência Lusa à entrada para a reunião informal dos ministros das Finanças da zona euro e da UE, em Dublin pela presidência rotativa do Conselho ocupada pela Irlanda.
Em causa estão as recentes ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, de avançar com novas tarifas sobre a UE, que surgiram depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter proposto que o Canadá se possa tornar no primeiro membro associado da União Europeia, aprofundando a cooperação entre os dois blocos.
Trump reagiu ameaçando aplicar “tarifas muito pesadas” à Europa ou mesmo limitar o comércio, caso considere a aproximação entre a UE e o Canadá um ato hostil.
“Como eu tenho dito, […] as tarifas prejudicam as economias, prejudicam os consumidores, sobretudo nos terrenos mais baixos”, afirmou Joaquim Miranda Sarmento à Lusa.
O governante saudou, porém, o aprofundamento das relações comerciais entre Bruxelas e Otava: “A possibilidade de a UE alargar os seus laços comerciais ao Canadá é positiva para os dois blocos, mas também é positiva, seguramente, para os Estados Unidos”.
“O comércio internacional, quando é justo e quando é equilibrado, gera ganhos para todos”, adiantou.
A nova ameaça de Washington surge num contexto de relações comerciais já marcadas por sucessivas disputas entre os Estados Unidos e os seus parceiros, sobretudo a UE, com o qual foi estabelecido um teto tarifário de 15% para a maioria das exportações europeias para os EUA.
Os ministros das Finanças da UE vão discutir hoje, durante um almoço de trabalho, a competitividade do setor bancário europeu, na sequência de um relatório da Comissão Europeia sobre a fragmentação do mercado.
A discussão acontece depois de a comissária europeia Maria Luís Albuquerque ter anunciado que Bruxelas apresentará no primeiro trimestre de 2027 um pacote legislativo para reforçar a competitividade da banca e aprofundar a integração do mercado.
Sobre este assunto, Joaquim Miranda Sarmento defendeu o avanço da União Bancária, nomeadamente através da criação de um sistema europeu de garantia de depósitos.
“Nós sempre procurámos […] que houvesse […], até para assegurar o equilíbrio e a confiança de todos os depositantes”, argumentou.
O ministro defendeu, ainda, a simplificação da regulação bancária na UE, considerando que a banca europeia precisa de “ganhar escala” face aos concorrentes, por ainda ter “regulação bastante exigente”, criada após a crise financeira de 2008.
No sábado, segundo e último dia da reunião informal, será discutido o impacto da inteligência artificial (IA) nas economias e sociedades europeias.
Sobre esta matéria, Joaquim Miranda Sarmento afirmou que a tecnologia de IA já integra a reforma dos serviços públicos em Portugal, permitindo ganhos de rapidez, qualidade e produtividade, mas sublinhou a importância de garantir um uso responsável da tecnologia.
“Aquilo que temos pela frente como trabalho é ter uma agenda ambiciosa de IA e de desenvolvimento tecnológico, mas sem deixar de olhar para aquilo que são os riscos e para aquilo que são as necessidades de ter salvaguardas”, adiantou à Lusa.