Montenegro alerta que Portugal tem a "obrigação" de não depender de fundos europeus

O primeiro-ministro disse no Porto que o país, as empresas e instituições terão de "apresentar projetos credíveis, que acrescentem, inovem, levem mais longe a capacidade da Europa se poder afirmar".
O primeiro-ministro, Luís Montenegro
O primeiro-ministro, Luís MontenegroFOTO: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
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O primeiro-ministro Luís Montenegro defendeu esta segunda-feira, 1 de junho, que Portugal tem "obrigação" de estar sempre dependente dos fundos europeus.

"Nós, Portugal, temos cada vez mais a obrigação de, não desperdiçando e descurando as políticas de coesão, nos colocarmos acima da necessidade de estarmos permanentemente à espera de fundos europeus para podermos desenvolver-nos, para podermos financiar o nosso investimento", disse no Porto, durante a cerimónia de passagem do Instituto Politécnico do Porto a Universidade Técnica do Porto.

O primeiro-ministro lembrou que se "discute neste momento na União Europeia (UE) as diretrizes do próximo Quadro de Financiamento plurianual", relativo ao quadriénio 2028-2032. "Estamos a meio do ano de 2026. 2028, ano em que este quadro financeiro vai começar, é já ali", avisou.

Sobre o próximo quadro de financiamento da UE, Montenegro indicou que ele "está muito vocacionado para a economia, para a competitividade, para os fatores de competitividade e para premiar", mas também "financiar os projetos com maior distinção". "Não há nenhum país que tenha alguma garantia à partida de nesse plano poder ser, mais ou menos, bafejado com capacidade financeira", sublinhou.

Nesse contexto, avisou, não só o país, mas também as empresas e as instituições terão de "apresentar projetos credíveis, que acrescentem, que inovem, que levem mais longe a capacidade da Europa se poder afirmar no plano económico e no plano comercial".

"E é aqui que entram as nossas instituições de Ensino Superior e as nossas empresas, na forma como devem colaborar para apresentar projetos válidos à escala europeia e na forma como devem cooperar com projetos pela Europa fora", disse.

"Nós temos de preparar os projetos já, para podermos estar habilitados, no primeiro dia, a ombrear com outros países europeus, ou em colaboração e cooperação com eles e com as suas instituições, para termos projetos de excelência, de vanguarda de mérito, para podermos estar, também, aí, na linha da frente do desenvolvimento", frisou.

O primeiro-ministro recordou que desde 1986 não era criada uma Universidade em Portugal, a última tinha sido a Universidade da Madeira. "Esta é a altura de nós darmos ao Ensino Superior em Portugal uma nova lufada de criação de valor, de criação de escala, de criação de capacidade", assumiu.

A criação da Universidade Técnica do Porto foi aprovada em Conselho de Ministros no dia 21 de maio, juntamente com a criação da Universidade de Leiria e do Oeste, ambas institutos politécnicos.

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