Montenegro diz à Lufthansa que o Estado será “parceiro leal, mas também exigente”

Primeiro-ministro diz, na cerimónia de assinatura do acordo, que o negócio é um passo importante para o futuro da companhia, dos direitos dos trabalhadores e para as finanças públicas.
Montenegro diz à Lufthansa que o Estado será “parceiro leal, mas também exigente”
Leonardo Negrão
Publicado a: 

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, reafirmou esta terça-feira que o Estado português “será um parceiro leal, mas também exigente” para com o Grupo Lufthansa, que foi escolhido para comprar 44,9% da TAP.

Montenegro, que falava durante a cerimónia de assinatura do acordo, em Lisboa, enalteceu as componentes de investimento económico em Portugal que a Lufthansa ofereceu na fase das propostas vinculativas. Os investimentos numa fábrica de manutenção, na expansão de Infraestruturas em Faro e no Porto e a nova escola de pilotos em Tancos foram factores que, em última análise, fizeram pender a escolha do Estado português para o grupo alemão.

Por seu lado, o presidente executivo do grupo Lufthansa afirmou que a assinatura do contrato de venda parcial da TAP é um “momento muito especial” e disse que a decisão do Governo foi um “excelente sinal”.

“É um momento muito especial para nós. A decisão do Governo português ao selecionar a Lufthansa foi um excelente sinal […] para a TAP, para Portugal e para a Lufthansa”, afirmou o presidente executivo do grupo Lufthansa, Carsten Spohr.

Spohr referiu que a entrada no capital da TAP constitui uma oportunidade de acesso a novos mercados, como África e América do Sul, em particular o Brasil. Mercados que, para a Lufthansa, têm um “grande potencial”.

O presidente executivo do grupo Lufthansa assegurou ainda querer desenvolver a empresa portuguesa, mantendo a tradição e o que a distingue.

O Governo selecionou, em 14 de outubro, a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.

A decisão foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.

Na escolha pesou, sobretudo, a proposta financeira da Lufthansa, superior em 163 milhões de euros à da Air France-KLM, tendo sido também avaliados os investimentos associados, nomeadamente na frota, e o modelo de governação proposto.

A proposta da Lufthansa inclui um preço de referência de 1.025 milhões de euros por 44,9% da TAP, acrescido de 58 milhões de euros em ajustamentos temporais relacionados com a taxa de emissão de bilhetes ('ticketing fee'), a SPdH (antiga Groundforce, empresa de assistência em terra) e a Cateringpor (serviços de refeições a bordo), além de 118 milhões relativos aos 5% reservados aos trabalhadores, elevando o encaixe potencial para 1.201 milhões de euros.