Nem o Halloween anima as vendas de chocolate

Vendas de chocolate escorregaram 33 milhões de dólares, em termos homólogos, nos dois meses que terminaram a 17 de outubro.
Nem o Halloween anima as vendas de chocolate
Foto: Fabiano Cafure
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Já nem as festividades estão a escapar às novas formas de consumo. Segundo dados libertados esta sexta-feira, 30 de outubro, pela Reuters, as preocupações com a saúde chegaram até ao Halloween, com as empresas a admitir não conseguir contrariar o decréscimo de consumo de chocolate, mesmo com a ajuda da festividade.

Opções com baixo teor de açúcar e snacks saudáveis estão a ocupar espaço anteriormente preenchido por guloseimas, sobretudo os chocolates.

As vendas de chocolate no Halloween caíram 33,1 milhões de dólares nas nove semanas que terminaram a 17 de outubro, em comparação com o ano anterior, segundo dados da NIQ citados pela agência Reuters. É a maior queda em, pelo menos, três anos, e impulsionada inteiramente pelo chocolate de leite, com vendas estáveis para o chocolate branco e ligeiramente superiores para o chocolate negro.

Com a aproximação das eleições intercalares para o Congresso – acontecem já na próxima terça-feira – a confiança dos consumidores norte-americanos desceu para um nível quase recorde de baixa.

A Hershey HSY.N, fabricante da marca Reese's, e a empresa de análise de dados Morning Consult afirmaram num relatório publicado em agosto que dois terços dos pais já tinham comprado guloseimas para o Halloween ainda no verão, continua a Reuters.

O CEO da Hershey, Kirk Tanner, afirmou na quinta-feira que a empresa precisava que os consumidores “aparecessem”, naquilo que descreveu como os últimos dias críticos antes do Halloween, no sábado, depois de a empresa ter reduzido a sua meta de crescimento orgânico das vendas líquidas para este ano.

A subida significativa dos preços do cacau tem obrigado os fabricantes de produtos de confeitaria a aumentar os preços nos últimos três anos, mas o cacau desceu para menos de 3 mil dólares por tonelada métrica, face ao recorde de 12 mil dólares registado em 2024. Mas como acontece comummente, esse decréscimo ainda não chegou aos consumidores.

O diretor financeiro da Mondelez International, Amit Banati, afirmou na quinta-feira passada, 29 de outubro, que os benefícios da redução dos custos do cacau estavam a começar a fazer-se sentir, depois de a proprietária da Cadbury ter registado volumes estáveis na América do Norte e um aumento de preços de 1,6% no terceiro trimestre.

O ritmo dos aumentos de preços para os consumidores deverá abrandar significativamente no início do próximo ano, à medida que os preços mais baixos do cacau se refletirem nas cadeias de abastecimento, adiantou David Branch, gestor de setor do Wells Fargo Agri-Food Institute, citado pela mesma agência. Entretanto, os produtores estão a reformular os produtos e a reduzir o teor de chocolate para poupar dinheiro, como tem vindo a ser revelado.

Alterações ao consumo provocam mudanças

Escolhas mais saudáveis estão a remodelar as secções de doces, impulsionadas pelo uso crescente de medicamentos para emagrecer à base de GLP-1 e pela campanha “Make America Healthy Again”, promovida pela administração Trump.

“Os consumidores estão a fazer escolhas muito diferentes no que diz respeito ao tamanho das embalagens, ao preço e ao produto”, afirmou Chris Costagli, responsável pela análise de alimentos e bebidas não alcoólicas e vice-presidente de liderança intelectual da NIQ.

As vendas de embalagens pequenas registaram um aumento de 24% em termos monetários, enquanto todas as embalagens de tamanho superior estão em declínio.

“Estamos a assistir a um aumento dos doces com alegações de “sem açúcar”, “baixo teor de açúcar” ou “menos açúcar”… a par do crescimento dos bolinhos de arroz ou pipocas em embalagens de “doçura ou travessura”, dos snacks revestidos a iogurte, das barras e das pipocas prontas a comer”, afirmou Sally Lyons Wyatt, vice-presidente executiva global e consultora-chefe para o setor de bens de consumo e serviços alimentares da Circana.

A Mondelez está a enfrentar o desafio de frente. Na quinta-feira, anunciou que iria adquirir a Undercover Snacks, cujos chips de quinoa revestidos a chocolate apresentam o slogan “ingredientes saudáveis disfarçados”.

Já a fabricante de iogurtes Chobani está a promover a ausência de “ingredientes assustadores” no seu creme lácteo especial para o Halloween, o Ube Sweet Cream.

“Atualmente, as pessoas estão cada vez mais conscientes do que está – ou não está – presente nos seus alimentos", afirmou o diretor de inovação da Chobani, Niel Sandfort. E nem festividades como o Halloween, em que a indulgência é a palavra de ordem, parece estar a fazer os consumidores ceder à tentação.