Suinicultura quer fundo de catástrofes para compensar produtores que não conseguem ter seguro nas produções.
Suinicultura quer fundo de catástrofes para compensar produtores que não conseguem ter seguro nas produções.Sérgio Freitas/Global Imagens

No rescaldo da tempestade Kristin e com nova PAC no horizonte, suinicultura quer atrair jovens e criar fundo para catástrofes

Nova estratégia vai ser apresentada na Feira Nacional do Porco, que tem início esta quinta-feira, no Montijo. Nova Política Agrícola Comum terá início daqui a dois anos, em 2028, durando até 2034.
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A idade dos produtores, um fundo para catástrofes e a descentralização da produção são algumas das principais preocupações da nova estratégia do setor da suinicultura, que vai ser apresentada na Feira Nacional do Porco, que tem início esta quinta-feira, no Montijo.

Ao Diário de Notícias, o presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS) e da Organização Interprofissional da Fileira da Carne de Porco (FILPORC), David Neves, contou que a estratégia estabelece as prioridades do setor para a nova Política Agrícola Comum, que está a ser negociada e irá durar de 2028 até 2034.

Todo a fileira da carne de porco representa um valor de quatro mil milhões de euros para a economia, cerca de 25% do PIB no setor agroalimentar português, e emprega “diretamente cerca de 18 mil pessoas”, indicou o representante, tendo esta estratégia a seis anos um orçamento de 340 milhões de anos.

E uma das prioridades definidas envolve mesmo os trabalhadores na fileira do porco, nomeadamente a idade média destas pessoas que trabalham no setor, que “está nos 65 anos”. “Importa trazer gente nova”, afirma o representante do setor, que pretende fazê-lo ao criar “um prémio” para incentivar ao “abandono” das pessoas mais idosas, já em idade de reforma, e criar uma “bolsa de terras” para estabelecer novas produções.

A suinicultura, como outros setores, ainda vive no rescaldo dos efeitos da tempestade Kristin, que afetou várias zonas do país e deixou um rasto de destruição. Ao todo 40% da capacidade produtiva foi afetada e, face a períodos homólogos, “há uma diminuição de efetivo superior a 220 mil animais”.

O impacto da tempestade Kristin também pôs a cru uma realidade que não era bem conhecida: “Nós percebemos, com a catástrofe de 28 de janeiro deste ano, que uma parte significativa das explorações não têm seguros. E não têm seguros porque as companhias de seguros não fazem seguros para esta atividade”, acrescentou.

E foi por essa realidade que o setor propôs a criação de um Fundo de Catástrofes para ajudar quem foi e quem será afetado por futuras tempestades com um impacto tão destrutivo e que permita à fileira “negociar com as companhias de seguros”, para “aliviar a carga e o prémio do seguro”. O financiamento, explicou, seria dividido entre 25% proveniente do setor, 25% do orçamento do estado e 50% do orçamento da União Europeia.

Ainda na proteção ambiental, um dos objetivos da nova estratégia é avançar na sustentabilidade da produção de carne de porco, especialmente no que toca à questão dos resíduos produzidos. “Existe um potencial de produção de energia, nomeadamente de biogás que pode ser transformado em biometano”, explica David Neves, sublinhando a importância disto numa altura em que a Europa e Portugal têm tanta dependência energética”.

Por fim, outra das prioridades definidas pela indústria da carne de porco assenta na descentralização da produção, atualmente concentrada nas zonas de Lisboa e Vale do Tejo. "O Interior está a ficar deserto e temos uma estratégia para fixar pessoas nessas zonas”, sublinhou o responsável, apontando a deslocação de “algumas partes da produção” para “outras zonas do país”, com a condição de que haja terra e água disponíveis.

Uma feira para mostrar a vitalidade do setor após a catástrofe

Esta Feira Nacional do Porco, que foi criada em 1979 e cumpre agora a sua 27ª edição, vai ser diferente até porque esteve para não acontecer. Normalmente, este evento bienal ocorre em maio, tendo sido considerado o cancelamento devido ao impacto das tempestades.

“Apesar de todas as contrariedades e apesar do impacto da tempestade neste setor, entendemos que era importante dar um sinal de vitalidade para o setor e mostrar o que estamos a fazer”, contou o presidente das associações, referindo que a feira é “aberta ao público” e não é “uma feira profissional”.

“É perceber que se faz o melhor que existe no mundo e, portanto, permite mostrar as novas tendências, os novos desafios para o setor da agricultura em matéria de bem-estar animal, de segurança ambiental, em matéria de produtividade”, acrescentou.

E "o melhor que existe no mundo" serve também para exportar, uma oportunidade que se tem aberto cada vez mais para a suinicultura. Desde 2019, mercados do Leste asiático como o Japão, a Coreia do Sul, o Vietname ou a China.

"Nós competimos, no fundo, nos mercados mais exigentes do mundo, com o valor de exportações do ano passado rondou os 174 milhões de euros", sublinhou o responsável pelo setor.

"Este ano estimamos que possam ir dentro dos mesmos valores", acrescentou David Neves, mesmo com o impacto do comboio de tempestades do início do ano.

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