Num mundo incerto, Portugal está a recuperar centralidade

As profundas alterações que o mundo sofreu nos últimos cinco anos não encerraram oportunidades de crescimento. Conferência da Crowe abriu horizontes dos empresários, deixou alertas e sugestões.
Conferência promovida pela Crowe juntou empresários e decisores no Porto.
Conferência promovida pela Crowe juntou empresários e decisores no Porto.Foto: D.R.
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O mundo mudou. A geopolítica e a geoeconomia passaram a ser fatores incontornáveis das decisões das empresas. Num ambiente mundial de grande incerteza, Portugal está a recuperar um espaço central. O país “tem hoje uma centralidade que já não tinha desde o século XVI”, defendeu esta quinta-feira, 5 de novembro, Nuno Lameiras, administrador do grupo Três60, na conferência What' s Next 2026, organizada pela Crowe Portugal, em Matosinhos.

Portugal tem centralidade digital, através da conetividade marítima a vários continentes, a que junta uma componente de energia descarbonizada, que o torna elegível para a instalação de centrais de dados, e às quais soma disponibilidade de talento, elencou Nuno Lameiras no evento. Com isto, “tem condições para acolher investimento na área eletrodigital”.

Embora “o mundo tenha mudado de forma disruptiva nos últimos cinco anos, se tenha tornado altamente imprevisível, não se fechou”, sublinhou, por sua vez, Paulo Rios de Oliveira, administrador da AICEP. Como frisou, “o comércio internacional aumentou”. E Portugal “reúne características para encarar o futuro com otimismo. Está à entrada da Europa para mercados como o Brasil, os EUA ou Canadá, está dentro da Europa e tem o 14º porto da Europa, Sines”, disse. Há, contudo, “novas regras”. As empresas portuguesas têm de competir “pelo valor acrescentado e pela inovação, e têm de ter mais conhecimento”, afirmou.

Marco Galinha, presidente e CEO do Grupo Bel, e proprietário do Diário de Notícias/Dinheiro Vivo, reconheceu na sua intervenção que “o tempo de hoje é muito difícil”. Mas lembrou que o seu percurso enquanto empresário exigiu “uma resiliência enorme, método, organização, disciplina, rigor e também teimosia”. Como sublinhou, “é muito difícil ter sucesso”. Atualmente, uma das suas preocupações é a carga fiscal sobre os salários. “É preciso pagar melhor, mas o Estado não pode levar 48% de um prémio de produtividade”, disse. Marco Galinha lembrou ainda que a diversificação de negócios “é muito importante”, assim como a adaptação à Inteligência Artificial (AI). “A IA é um desafio maior que a Revolução Industrial, mas o maior risco é não nos adaptar”.

Na conferência, o bastonário da Ordem dos Economistas, António Mendonça, alertou para o confronto atual da China e EUA pela hegemonia internacional, que disputam forças ao nível da tecnologia e da IA, com uma Europa a navegar à vista. Lembrou ainda que a possível reconfiguração mundial tem duas vias: através da cooperação internacional ou por conflito. Com base em reconhecidos teóricos das ciências económicas, sugeriu aos empresários presentes que tenham em conta que as crises são estruturais e cíclicas, e que é necessário substituir os sistemas de referência e olhar a realidade como ela é.

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