

A OCDE reviu esta quarta-feira em baixa as suas perspetivas para a economia portuguesa, projetando um crescimento de 1,8% em 2026 e 1,7% em 2027 — valores inferiores às estimativas do Governo, que prevê 2% para 2026 no Relatório Anual de Progresso entregue a Bruxelas em abril.
No seu Economic Outlook, a organização identifica os preços mais elevados da energia como um fator que reduzirá o dinamismo económico e antecipa que a inflação atinja um pico de 3,2% em 2026.
Apesar do impacto energético, a OCDE destaca vários amortecedores internos, como a capacidade de execução dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), um mercado de trabalho ainda “quente”, cortes permanentes de impostos e medidas temporárias de apoio orçamental, que deverão sustentar a procura interna em 2026.
As exportações, por sua vez, deverão crescer progressivamente ao longo de 2027 com a recuperação da procura externa.
Quanto à dinâmica inflacionista, a OCDE nota que a inflação subiu para 3,3% em abril, impulsionada pelo aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos, enquanto a inflação subjacente ficou em 2,1%. A projeção é de que a inflação recue para 2,5% em 2027, à medida que os preços internacionais da energia e as pressões sobre os serviços se aliviem.
Nos riscos, a organização alerta para cenários adversos significativos: uma queda adicional da taxa de poupança das famílias ou aumentos salariais superiores ao esperado podem impulsionar o consumo — mas também reavivar a inflação —; já uma implementação incompleta do PRR ou disrupções prolongadas nos mercados de energia poderiam prejudicar fortemente as perspetivas económicas.