Em dia de apresentação do Orçamento do Estado para 2027, o tema não fugiu à discussão entre os líderes dos principais bancos portugueses, que estiveram presentes na Money Conference 2026, em Cascais, com a mensagem de que o caminho traçado até agora tem de continuar.
João Paulo Oliveira e Costa, CEO do BPI, avisou que não se pode “estragar” o caminho das contas certas construído até agora e que tem atravessado os últimos governos de cores partidárias diferentes.
Apesar de defender uma redução da despesa pública, Oliveira e Costa apontou para a limitação dessas críticas. “Quem nunca fez orçamentos é que gosta de mandar bocas”, comentou, acrescentando que a questão deve ser “onde” é que esses cortes podem ser feitos.
“Quem lá vai gerir a máquina, tem de gerir de acordo com a máquina que encontra”, acrescentou.
Por sua vez, Isabel Guerreiro, do Santander, aponta duas prioridades para este orçamento: a importância da “previsibilidade e da estabilidade”, especialmente num cenário internacional que já é “suficientemente imprevisível”. Ainda assim aponta as necessidades de “licenciamentos mais rápidos”, da execução do PRR e de “manter as contas públicas equilibradas” como alguns dos pontos importantes a abordar.
“A mensagem é de pedir sentido de Estado a todas as forças políticas para que o próximo orçamento seja bem executado”, acrescentou.
Por fim, Miguel Maya, CEO do Millenium BCP, deixou uma mensagem semelhante a favor das “contas equilibradas”, acrescentando apenas que o Orçamento do Estado deve “concentrar os apoios nas classes mais desfavorecidas”.
“Tudo o resto se joga fora do orçamento”, ressalvou o CEO, que sublinhou que é com esses temas que estão fora ou que, para o banqueiro, deviam estar fora, nomeadamente “as transformações na habitação, na justiça ou no licenciamento”.