Ofensiva 'premium': Xiaomi quer metade da faturação fora dos 'smartphones' em Portugal

Com crescimento de 40% no segmento de topo, marca fixa o "sweet point" no equilíbrio 50-50 entre telemóveis e ecossistema. Isto depois de ver ‘tablets’ dispararem 80%.
O country manager da Xiaomi em Portugal, Tiago Flores.
O country manager da Xiaomi em Portugal, Tiago Flores.FOTO: Leonardo Negrão / Global Imagens
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A marca chinesa de dispositivos conectados Xiaomi encerrou o ano de 2025 com uma estratégia de transformação profunda no mercado português. Embora mantenha a vice-liderança consolidada nos smartphones, com 26% de quota de mercado, a tecnológica está a executar uma transição deliberada do volume para o valor.

O objetivo, revelado ao DN/DV por Tiago Flores, country manager da Xiaomi em Portugal, é atingir o "sweet point" financeiro: uma divisão equitativa, de 50-50, entre as receitas de smartphones e o vasto ecossistema de produtos conectados. Algo que nem gigantes como a Apple conseguiram, dependentes dos smartphones.

Atualmente, o chamado ecossistema já representa 30% da faturação da marca em Portugal – um valor que, segundo dados da empresa fornecidos ao DN/DV, cresceu 46% num ano. Desta forma, para a Xiaomi, o smartphone deixou de ser o produto chancela para passar a ser a "cola" que une uma vida digitalizada. "No longo termo, o nosso objetivo é ter 50% smartphones e 50% os outros negócios, o ecossistema", afirma Tiago Flores. Esta meta é vista como um passo natural para a marca chinesa. "Queremos digitalizar a vida do consumidor em 360 graus. E isso revela que o consumidor procura dentro do nosso portfólio mais soluções de conectividade e outro tipo de experiência", explica o executivo, sublinhando que este caminho "está a ser altamente bem-sucedido".

Explosão dos tablets ajudou

Se houve categoria que simbolizou esta menor dependência do telemóvel foi a dos tablets, que registou um crescimento de 80% face ao ano anterior. Tiago Flores aponta o alargamento da gama como a primeira razão para tal êxito -- a marca passou a oferta de dois para quatro equipamentos em segmentos distintos -- mas destaca a componente técnica e a interoperabilidade como os verdadeiros diferenciais.

"É fácil para o consumidor perceber estas vantagens: a qualidade dos ecrãs, o carregamento rápido e a grande capacidade de bateria são pilares que transpusemos dos smartphones para os tablets", diz. Isto porque, descreve, com o sistema operativo HyperOS é possível fazer screen mirroring entre um tablet da marca chinesa e “um computador Apple, e assim ter um segundo ecrã”, exemplifica Flores.

Baterias silicone-carbono. Mais finas, mais potentes

A "premiumização" é o motor da rentabilidade da marca chinesa. Com um crescimento de 40% no segmento de topo em Portugal, a marca está a focar-se em dispositivos com maior durabilidade. Um dos maiores diferenciais reside na nova tecnologia de baterias de silicone-carbono, que estarão presentes nos novos smartphones Xiaomi 17 e Xiaomi 17 Ultra a lançar oficialmente em breve.

Esta inovação permite uma densidade energética muito superior, possibilitando integrar baterias de alta capacidade em dispositivos extremamente finos. "O consumidor pede mais autonomia e nós estamos a entregar essa diferenciação. Mesmo em modelos complexos como o Ultra, conseguimos colocar baterias massivas porque o utilizador assim o exige", afirma ao DN/DV Tiago Flores.

Um gigante global

O desempenho em Portugal é sustentado por uma "máquina" global que atravessa o seu melhor momento. No terceiro trimestre de 2025, o Grupo Xiaomi registou uma receita de 13,7 mil milhões de euros (um crescimento de 22,3%), com o lucro líquido ajustado a disparar 80,9%, de acordo com os valores enviados ao DN/DV. Pelo 21.º trimestre consecutivo, a marca mantém-se no Top 3 mundial de smartphones.

A base desta solidez é um investimento sem precedentes em Investigação e Desenvolvimento (I&D). No último trimestre do ano passado, a Xiaomi anuncia ter investido 1,1 mil milhões de euros em I&D, no que afirma ser um novo recorde. Este esforço reflete-se na plataforma AIoT (Artificial Intelligence of Things – segmento que exclui smartphones e portáteis) da marca, que atingiu o marco histórico de 1035,5 milhões de dispositivos conectados, servindo uma comunidade global de 741,7 milhões de utilizadores ativos mensais.

Veículos elétricos na Europa em 2027

A visão "Human x Car x Home" que é o mote da Xiaomi desde o último trimestre de 2023 ficará completa com a mobilidade elétrica, que ainda não chegou à Europa. O quartel-general da divisão de veículos elétricos (EV) foi já anunciado para Munique, na Alemanha, e os executivos já confirmaram que em 2027 será possível trazer este negócio para os mercados internacionais, espera-se que incluindo Portugal.

Com este passo, a Xiaomi espera fechar o círculo da conectividade total, consolidando o seu lugar na lista Fortune Global 500, onde ocupa atualmente a posição 297.

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