Paris acolhe nova ronda China‑EUA com foco em tarifas, investimento e terras raras

A 6.ª ronda de negociações comerciais entre os dois países deve ocorrer na capital francesa, antes da visita de Trump a Pequim, planeada para o final do mês de março.
Paris acolhe nova ronda China‑EUA com foco em tarifas, investimento e terras raras
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China e Estados Unidos preparam‑se para realizar no final da próxima semana, em Paris, uma nova ronda de negociações comerciais de alto nível, num momento em que decorrem os preparativos para a visita do Presidente norte‑americano, Donald Trump, a Pequim, entre 31 de março e 2 de abril.

As delegações serão chefiadas pelo vice‑primeiro‑ministro chinês He Lifeng e pelo secretário do Tesouro dos EUA Scott Bessent. Em cima da mesa estarão temas sensíveis como tarifas, investimento bilateral, comércio de soja e o acesso a minerais de terras raras, segundo fontes citadas pelo South China Morning Post.

Fontes ouvidas pelo jornal indicam que as partes ambicionam converter alguns desses pontos em acordos concretos que possam ser apresentados aquando do encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping nas semanas seguintes. Pequim ainda não confirmou oficialmente a agenda, mas assegura que a comunicação entre os dois países decorre “a todos os níveis”.

Esta será a sexta ronda de conversações desde abril do ano passado, quando Washington lançou um novo capítulo na disputa comercial com Pequim. Sessões anteriores passaram por Genebra, Londres, Estocolmo, Madrid e Kuala Lumpur, e conduziram a cortes significativos nas tarifas recíprocas que, na fase de maior tensão, chegaram a ultrapassar os 100%.

O cenário das negociações ganhou nova complexidade após uma decisão histórica do Supremo Tribunal dos EUA em fevereiro, que anulou tarifas de 20% impostas no ano anterior. A sentença forçou a administração norte‑americana a procurar instrumentos legais alternativos para manter pressão sobre a China.

A rivalidade económica entre as duas maiores potências continua a centrar‑se em questões estruturais — desequilíbrios comerciais, acesso a mercados, subsídios industriais e controlo de cadeias de valor em setores de elevada tecnologia — e tem implicações globais, dado o peso de ambos no comércio e nas cadeias de abastecimento mundiais.

Desde o retorno de Trump à Casa Branca em 2025 que a política dos EUA em relação à China tem assumido um tom mais assertivo, com novas restrições a investimentos e exportações tecnológicas. Por seu lado, Pequim procura estabilizar as relações económicas bilaterais, reforçar autonomia tecnológica e diversificar mercados de destino.

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