

O acordo de paz estabelecido entre os EUA e o Irão fez tombar o preço do petróleo nos mercados financeiros internacionais. O capital migrou para as bolsas, com o aumento do apetite pelo risco a fazer-se notar à escala global.
Nesta segunda-feira, 15 de junho, registaram-se quedas acentuadas nos valores negociados no âmbito dos contratos futuros de petróleo. Prova disto é que o Brent (referência europeia) estava a cair 4,88% até aos 83,07 dólares por barril. Em simultâneo, o WTI (referência em Nova Iorque) recua 5,17% e fica-se pelos 80,49 dólares por barril.
Dito isto, ambos estavam no patamar mais baixo desde o dia 10 de março, o que significa que registam mínimos de três meses. Na base está a redução das tensões face à escalada sentida nas semanas seguintes àquela data. Recorde-se que, no final de abril, o Brent atingiu um máximo desde o início da guerra em torno dos 122 dólares por barril.
Na origem está o acordo estabelecido entre EUA e Irão, no domingo. Este dita o fim da guerra entre os dois países e, do lado norte-americano, tudo está assinado. Falta o Irão pôr dar o último passo, com a marcação agendada para a próxima sexta-feira, na Suíça. Recorde-se que o acordo já era aguardado há algum tempo e recupera a perspetiva de uma eventual estabilização das relações entre os EUA e o Irão (há mais dúvidas no que diz respeito a Israel).
Este cenário pode contribuir para a reabertura do estreito de Ormuz, o que significaria um aumento da oferta disponível no mercado, tendo como efeito direto uma redução no preço, com impacto positivo na economia global. Posto isto, observou-se um aumento do apetite pelo risco.
Para tal, muito contribui a decisão de Trump de levantar o bloqueio dos EUA naquela área, implementado há dois meses. Falta ainda que o Irão faça o mesmo, relativamente ao bloqueio realizado pelo país do Golfo, em resposta aos ataques iniciais dos EUA. Ainda assim, importa lembrar que outros sinais de apaziguamento entre EUA e o Irão aconteceram em momentos anteriores nesta guerra, ainda que sem sucesso. De qualquer forma nunca foram tão longe quanto este acordo.
Bolsas reagem em forte alta
Grande parte do capital que abandonou os futuros de petróleo foi reinvestido nas bolsas de valores internacionais. Prova disto é que se registaram ganhos significativos na Europa e, de forma mais expressiva, nos Estados Unidos e Ásia.
Na origem destas variações está o aumento do apetite pelo risco, já que o acordo de paz leva a crer num maior crescimento económico e desaceleração da inflação, entre outras variantes. Também neste âmbito, os mercados continuarão atentos a possíveis alterações futuras no contexto geopolítico.
Começando pelas praças do Velho Continente, o índice agregado Euro Stoxx 600 subiu 0,19%, até final da sessão. Dito isto, chegou a tocar máximos históricos, antes de um leve recuo, que o deixou ligeiramente abaixo do nível observado no último fecho antes da guerra, ou seja, da última sessão de fevereiro.
O mesmo acontece com o índice de referência de Itália. Em simultâneo, os índices de referência de Itália e França ganharam menos de 1%, ao passo que Espanha e Alemanha vão mais além, com subidas acima de 1%. Em contrapartida, o britânico FTSE 100 e o português PSI recuaram perto de 0,4% e 0,5%, respetivamente, depois de serem os que menos sofreram com o sentimento negativo gerado pelo conflito.
Viajamos até à Ásia, onde o Japão foi rei, na medida em que o índice Nikkei 225 subiu 5% na sessão de segunda-feira, a beneficiar do disparo de 10% nos títulos do Softbank, um dos grandes investidores de todo o mundo em IA. De resto, os índices de referência de Hong Kong, Índia e Austrália encerraram em terreno positivo.
Em simultâneo, Wall Street registava, até às 18h30 (hora de Lisboa), subidas acima de 1% no S&P 500 e no Dow Jones, mas era a tecnologia que mais ganhava com a recuperação de confiança. O índice Nasdaq adiantava-se 3%, com destaque para algumas gigantes da IA, que registaram subidas acentuadas.
Câmbio e minérios também mexem
À mesma hora, o mercado cambial registava uma valorização de 0,27% do euro face ao dólar que punha um euro a ser negociado por 1,1608 dólares.
Os minérios beneficiam, depois das fortes quedas que registam face ao início da guerra. Até à mesma hora, os futuros de ouro avançavam 2,52%, para 4.345 dólares por onça. Ao mesmo tempo, a prata sobe 3,27%, até aos 70,200 dólares por onça.