

Os preços das principais ‘commodities’ (petróleo, gás e carvão) recuperaram acentuadamente no segundo trimestre deste ano após a queda registada em 2025, com destaque para o Brent, segundo um boletim divulgado esta quinta-feira pela ERSE.
“Após uma trajetória descendente ao longo da maior parte de 2025, os preços do TTF [uma referência no mercado europeu de compra e venda de gás natural] do GNL [gás natural liquefeito] no Japão e do Brent registaram uma recuperação acentuada durante o segundo trimestre de 2026”, indica a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) no boletim de ‘commodities’ relativo ao segundo trimestre de 2026.
Segundo o regulador, “destaca-se a evolução do Brent, que reflete sobretudo o agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente, que impulsionou as cotações internacionais do petróleo”.
Por sua vez, o preço das licenças de emissão de CO₂ (carbono), após atingir um máximo no início de 2026, "registou uma correção nos meses seguintes, permanecendo ainda assim acima do nível observado em janeiro de 2025 no final do período analisado”, acrescenta.
Relativamente à energia elétrica, entre março a maio de 2025 e em fevereiro e março de 2026 "registaram-se, em alguns dias, preços de energia elétrica próximos de zero, devido à abundância de produção de eletricidade de origem renovável (hídrica, eólica e solar) a nível ibérico".
"De acordo com a REN, em média, no primeiro semestre de 2026, 69% do consumo em Portugal continental foi abastecido por produção proveniente de fontes renováveis, face a 77% no mesmo semestre do ano anterior", salienta.
Contudo, no segundo trimestre de 2026, os preços de energia elétrica no mercado grossista aumentaram, para um valor médio de 55,6 EUR/MWh [euros por megawatt/hora], em Portugal, representando um aumento de 33% em relação ao trimestre anterior (41,9 EUR/MWh).
No que se refere aos próximos meses, a ERSE indica que, após a “redução muito acentuada” da produção mundial de petróleo registada no segundo trimestre, acompanhada de uma “redução mais ligeira” do consumo face ao trimestre anterior (refletindo os constrangimentos geopolíticos e operacionais que afetaram alguns dos principais produtores), as previsões da Energy Information Administration (EIA) “apontam para uma retoma gradual do consumo a partir do terceiro trimestre de 2026, acompanhada por um aumento da produção mundial, tendência que deverá manter-se ao longo de 2027”.
Já analisando o preço dos futuros de gás natural, verifica-se que, “para os principais ‘hubs’ [de compra e venda] europeus, após uma forte subida das cotações desta ‘commodity’ no final do primeiro trimestre de 2026, registou-se uma trajetória descendente ao longo do segundo trimestre”.
“Ainda assim, a cotação média do produto com entrega em 2027 (Y+1) nos dois ‘hubs’ europeus situou-se em 36,4 EUR/MWh acima da média de 30,3 EUR/MWh registada no trimestre anterior”, nota.
Quanto às licenças de emissão de CO₂, “considerando as cotações médias dos três meses, de abril a junho de 2026, observa-se um valor das licenças de CO2 de 76,4 EUR/ton [euros por tonelada], para entrega em dezembro de 2026, e de 79,1 EUR/ton, para entrega em dezembro de 2027”.
Segundo detalha, estas cotações são 1,7% e 1,2% inferiores às cotações verificadas no trimestre anterior, respetivamente.
Relativamente à energia elétrica, no segundo trimestre a média das cotações dos futuros de eletricidade, para entrega no terceiro trimestre de 2026 (82,5 EUR/MWh), subiu face à média das cotações do mesmo produto verificada no trimestre anterior (67,9 EUR/MWh), de 21,5%.
Numa perspetiva de mais longo prazo, a ERSE indica que “a cotação média dos contratos de futuros para entrega no primeiro trimestre de 2027 situou-se em 72,9 EUR/MWh, acima da média de 65,6 EUR/MWh observada para o mesmo produto no trimestre anterior”.