Petróleo regressa aos 100 dólares e bons resultados já não chegam para inspirar confiança em IA

A guerra volta a provocar um 'sell-off' em bolsa (sobretudo Wall Street) e uma subida "em flecha" do barril. O problema já não é só o estreito de Ormuz, porque o Canal do Suez entrou em cena.
Dois petroleiros vistos no estreito de Ormuz.
Dois petroleiros vistos no estreito de Ormuz.EPA/STRINGER
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O preço do petróleo voltou a disparar na quinta-feira e o barril de Brent tocou os 100 dólares. Em Wall Street, os investidores mostraram, através da dona da Google, que as perspetivas de investimento já contam muito mais do que os resultados.

A semana voltou a ser atribulada no Médio Oriente. A possibilidade de um acordo de paz duradouro entre os EUA e o Irão parece mais distante, com os dois países a atacarem-se mutuamente. As tensões chegaram inclusive ao Mar Vermelho, onde os houthis (aliados do Irão) atacaram dois petroleiros da Arábia Saudita (aliada dos EUA), o que fez regressarem receios ligados a cortes ao nível da oferta no mercado petrolífero.

É que, se as restrições à circulação no estreito de Ormuz condicionam a indústria, as ameaças daquele grupo incidem agora sobre petroleiros que procurem atravessar o Canal do Suez. Este liga o Mar Vermelho (que banha o Iémen, onde estão estabelecidos os houthis, e banha a Arábia Saudita) ao Mar Mediterrâneo, o que faz dele uma "via rápida" para transportar mercadorias do Médio Oriente para a Europa, já que permite evitar contornar África, numa viagem que aumentaria significativamente os custos logísticos.

Ambas as rotas (Ormuz e Suez) são cruciais para o setor petrolífero (e não só). É que por estas passa cerca de 20% a 30% do mercado mundial de petróleo e grande parte do comércio internacional entre Ásia e Europa. Dito isto, os ataques geram receios que vão muito além do transporte daquela matéria-prima, com a economia global em risco de desacelerar igualmente, quer devido à subida dos preços do petróleo, quer devido aos preços de outros produtos que atravessem a região.

A consequência desta situação foi um disparo nos preços do petróleo. A tendência foi visível desde o início da semana, em função da sucessão de ameaças e ataques, que pressionaram os preços do Brent (referência global do petróleo crude). Ora, desde o fecho da semana passada, o preço subiu 13,5%, até aos 100,82 dólares, às 17h37 desta quinta-feira. A escalada ganhou tração nesta sessão, já que o valor representava um disparo diário de 7,18%.

De resto, o preço tocou os 100 dólares pela primeira vez desde 26 de maio. O pico surge depois de uma fase de maior acalmia, que chegou a pôr os preços abaixo daqueles que se registavam antes do início da guerra, em torno dos 72 dólares por barril.

Em simultâneo, o WTI, que é a referência norte-americana, mostrava igualmente um aumento mais acentuado na quinta-feira do que a média semanal. Em causa estava, à mesma hora, uma subida de 12,1% na semana e 6,46% na sessão, até aos 92,44 dólares por barril.

Bolsa no 'vermelho', Wall Street em choque

No mesmo dia, as bolsas europeias registaram um dia particularmente negativo, com a maioria dos índices de referência a perder entre 1% e 2%. O Euro Stoxx 600 seguiu pelo mesmo caminho, ao cair 1,18%. Ainda assim, a movimentação que mais atraiu olhares de investidores e analistas aconteceu, naturalmente, em Wall Street.

É que a Alphabet e a Tesla apresentaram contas na noite de quarta-feira. As duas empresas figuram entre o grupo das "Sete Magníficas" e anunciaram avultados investimentos em IA, que deixaram os investidores em estado de alerta.

Mais do que nas contas do período anterior (o segundo trimestre, no caso), ultimamente os mercados concentram as atenções nos investimentos que as maiores empresas do mundo estimam para o futuro próximo. No caso, a Alphabet, que desenvolve o Gemini (assistente de IA da Google) avançou com uma perspetiva de investir 195 mil milhões a 205 mil milhões de dólares (capex) em 2026.

O valor levanta dúvidas, assim como a estimativa para 2026 no fluxo de caixa (free cash flow), negativo em 5,9 mil milhões de dólares.

No caso da Tesla, que está a desenvolver táxis autónomos e robôs humanoides, apontou para investimentos de 25 mil milhões de dólares. O ceticismo sobre aquelas tecnologias continua a ser notório e as expetativas indicam que a empresa deve registar um cash flow abaixo de zero.

Dito isto, ambas as cotadas sofriam quedas acentuadas em bolsa. As cotações da Alphabet e da Tesla caíam 6,59% e 13,79%, respetivamente, em sinal de um sell-off muito pronunciado.

Se a guerra não vai sair do radar dos investidores, a época de resultados vai prosseguir esta sexta-feira e na próxima semana, pelo que promete igualmente continuar a marcar a agenda. A tecnologia estará sob os holofotes e as "Sete Magníficas" protagonizam parte deste capítulo. Depois de Alphabet e Tesla, na próxima quarta-feira será a vez de Meta e Microsoft, seguido de Amazon e Apple, no dia seguinte. A Nvidia apresenta mais tarde, no dia 26 de agosto.

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