

Portugal caiu três lugares no ranking de competitividade do International Institute for Management Development (IMD), passando a 40.º entre as 70 economias avaliadas, numa lista liderada pela Singapura.
Dos quatro pilares medidos pelo estudo da escola de negócios suíça, e da qual a Porto Business School é parceira, o país só registou progressos no “Desempenho Económico”, enquanto retrocedeu nas restantes três dimensões.
Os resultados apontam que, apesar de melhorias conjunturais na economia, Portugal continua a perder posição em fatores cruciais para a competitividade estrutural, como a eficiência das instituições, das empresas e das infraestruturas.
No pilar do “Desempenho Económico” houve uma subida de sete posições, para o 35.º lugar, impulsionada sobretudo pela evolução positiva do indicador de “Investimento Internacional”, que subiu da 33.ª para a 21.ª posição.
A componente de economia doméstica também melhorou, ascendendo do 54.º para o 49.º posto, enquanto o comércio internacional recuou ligeiramente, do 22.º para o 25.º lugar.
Na vertente da “Eficiência Empresarial”, Portugal caiu da 42.ª para a 45.ª posição, um retrocesso motivado principalmente pelo fraco desempenho em práticas de gestão (53.º), mercado de trabalho (46.º) e produtividade (48.º).
Persistem ainda fragilidades no empreendedorismo, na dimensão média das PME, na formação profissional e nas competências financeiras das empresas.
Quanto à “Eficiência Governativa”, o país desceu seis lugares, do 35.º para o 41.º posto; a única evolução positiva foi na política fiscal, que melhorou do 56.º para o 54.º lugar entre 2025 e 2026.
A análise do IMD sublinha que, na dimensão governativa, a previsibilidade do quadro institucional, fiscal e regulatório continua a condicionar decisões de investimento, com a política fiscal, as finanças públicas e a legislação empresarial a destacarem‑se como desafios que exigem políticas públicas mais simples, estáveis e orientadas para a execução.
O melhor desempenho relativo de Portugal mantém‑se no pilar das “Infraestruturas”, onde figura na 31.ª posição — embora também aqui tenha perdido seis lugares face a 2025, quando ocupava o 25.º lugar.
Os pontos fortes concentram‑se nos subindicadores de “Educação” e “Infraestrutura Tecnológica”, nos quais o país se posiciona em 23.º e 25.º, respetivamente.
José Esteves, dean da Porto Business School, sublinha que apesar de Portugal ter "profissionais de excelência", atrair investimento e ser "uma economia aberta ao mundo", a verdade é que "a competitividade do futuro não se mede pelos ativos que temos; mede‑se pela forma como os transformamos em produtividade, inovação, escala e impacto".
Para o mesmo responsável, o país precisa de “empresas mais ágeis, instituições mais eficazes e líderes capazes de executar melhor, adaptar‑se com maior rapidez e gerar valor de forma sustentável”.
Apesar das quedas nos pilares que sustentam a competitividade de longo prazo — Eficiência Governativa (41.º), Eficiência Empresarial (45.º) e Infraestruturas (31.º) —, Portugal conserva posições de destaque em indicadores concretos: é 4.º no mundo em receitas do turismo, 11.º em fluxos de investimento direto estrangeiro em percentagem do PIB, 12.º em baixos níveis de exclusão jovem e 3.º na menor concentração das exportações por produto.
Entre os fatores de atração mais citados por gestores destacam‑se a mão‑de‑obra qualificada (72%), a competitividade dos custos (68%), infraestruturas fiáveis (62%), atitudes abertas e positivas (60%) e a estabilidade das políticas públicas (40%) — cinco itens frequentemente referidos numa lista de 15 critérios mais valorizados.
O top 5 do ranking global é composto por Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos. Fecham o top 10 a Dinamarca (6.º), Irlanda (7.º), Países Baixos (8.º), Suécia (9.º) e Estados Unidos (10.º).
Citado no documento, Arturo Bris, diretor do World Competitiveness Center do IMD, salienta que "as nações com instituições credíveis e testadas" levam a melhor num contexto de crise geopolítica marcada pela "fragmentação global", uma vez que, "à medida que o sistema internacional deixa de responder a muitas necessidades nacionais, as empresas conseguem continuar a operar com previsibilidade".