

O rácio da dívida aumentou na maioria dos países da OCDE em 2025, mas diminuiu em Portugal, que foi um dos Estados onde o peso da dívida no PIB mais caiu desde o início da pandemia, em 2020.
No relatório Global Debt Report 2026, divulgado esta quarta-feira, 4, pela OCDE, lê-se que o rácio dívida/PIB aumentou em 27 países da OCDE em 2025, face a 2024, em alguns casos aproximando-se ou ultrapassando o nível atingido durante a pandemia de covid-19 em 2020.
Por outro lado, o PIB nominal "cresceu mais rápido do que o 'stock' da dívida nos 11 países restantes da OCDE em 2025, reduzindo o rácio dívida/PIB em comparação com 2024, sendo que Dinamarca, Irlanda, Portugal, Eslovénia e Turquia registaram as maiores quedas na dívida desde 2020.
Neste relatório, a OCDE conclui também que as necessidades de refinanciamento se mantiveram em percentagem do PIB para o emissor médio da OCDE entre 2024 e 2025, em torno de 7%, mas oito países registaram aumentos de pelo menos um ponto percentual.
A Bélgica, a Islândia e Portugal registaram os maiores aumentos, já que estão a "adotar medidas diferentes para lidar com as maiores necessidades de refinanciamento".
Segundo a OCDE, a Bélgica aumentou os volumes de sindicação, enquanto na Islândia subiu o número de linhas de crédito em aberto e em Portugal cresceu o número de linhas de crédito em aberto, bem como o número e a dimensão dos leilões.
"O aumento no tamanho das operações, em particular o uso de sindicações para levantar grandes somas de dinheiro numa única transação, pode apoiar a gestão de resgates, com os emissores frequentemente a planear esses eventos de oferta em torno das datas de resgate", lê-se.
Portugal foi ainda destacado noutra métrica nesta análise da OCDE: alterações na participação do volume de títulos do Tesouro, que são habitualmente usados para absorver choques inesperados nas necessidades de financiamento, dada a maior capacidade do mercado de absorver instrumentos de curta duração.
"A emissão de títulos do Tesouro aumentou na Bélgica e no Reino Unido devido a maiores necessidades de empréstimo", exemplifica a OCDE, enquanto, por outro lado, a emissão de títulos do Tesouro foi reduzida na Dinamarca e em Portugal em resposta a menores necessidades de empréstimo.
Emissão de dívida pública atinge níveis recorde na OCDE em 2025
A emissão de obrigações soberanas e o volume em circulação atingiram níveis recorde na área da OCDE em 2025, com as necessidades de refinanciamento a representar a maior parte do endividamento bruto, concluiu o relatório.
O endividamento público nos países da OCDE continuou a crescer em 2025 e espera-se que aumente em 2026, sendo que o montante pendente de dívida pública atingiu o recorde de 61 biliões de dólares (cerca de 52 biliões de euros), uma subida face aos 55 biliões registados em 2024, segundo o Global Debt Report 2026.
Foi o maior aumento anual desde a pandemia, impulsionado em parte pela desvalorização do dólar americano face ao euro e à libra esterlina.
"As elevadas necessidades de financiamento, combinadas com a diminuição da procura por títulos de longo prazo e a maior perceção de risco, contribuíram para prémios mais altos e curvas de juros mais acentuadas", indicou a OCDE.
Muitos países estão a reequilibrar as emissões para vencimentos mais curtos para "limitar a exposição a custos de financiamento de longo prazo mais altos, embora isso aumente os riscos de refinanciamento", alertou a organização.
Segundo a OCDE, a combinação de emissões recorde, o papel crescente de participantes alavancados no mercado e elevada incerteza política "aumenta a vulnerabilidade dos mercados a episódios de volatilidade acentuada".
A organização prevê que o aumento dos pagamentos de juros, os défices orçamentais persistentes e a queda da inflação elevem o rácio da dívida no Produto Interno Bruto (PIB) da área da OCDE em 2026.
O rácio da dívida aumentou na maioria dos países da OCDE em 2025, mas diminuiu em Portugal, que foi um dos Estados onde o peso da dívida no PIB mais caiu desde o início da pandemia, em 2020.