

Os preços da habitação em Portugal aumentaram 41,5% entre 2020 e 2025 e 81,9% desde 2010, respetivamente a maior e a terceira maior subidas da União Europeia, segundo o Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS).
De acordo com dados estatísticos compilados pela FFMS para um novo conteúdo intitulado “Factualmente”, cuja primeira edição reúne dados sobre a habitação, entre 2020 e 2025 houve em Portugal um aumento de 41,5% nos preços da habitação, o maior incremento entre os 18 países da União Europeia que apresentaram subidas.
Recuando uma década mais, até 2010, o aumento dos preços da habitação no país atinge os 81,9%, o terceiro maior entre os 23 países que registaram crescimentos.
Já tendo por base o “Barómetro das Cidades” da FFMS, 66% dos portugueses inquiridos apontam a habitação como a grande prioridade para a intervenção pública e quase 80% rejeita a ideia de que é fácil encontrar habitação adequada a preço razoável.
Esta percentagem sobe para 82% e 88% nas áreas metropolitana de Lisboa e do Porto, respetivamente, sendo que, a nível nacional, 51% afirma que os custos com a habitação condicionam outras despesas.
Por sua vez, o “Barómetro da Habitação” da FFMS, datado de 2023, indicava que seis em cada 10 pessoas sentiam dificuldade em fazer face aos custos mensais com a habitação e que um em cada quatro inquiridos “já viu importantes decisões de vida condicionadas devido às dificuldades no acesso à habitação”.
Na altura, um em cada nove inquiridos temia perder a casa nos cinco anos seguintes e 34% afirmava não ter para onde ir caso tivesse de sair da casa onde vivia.
Os dados compilados esta sexta-feira, 23 de outubro, pela fundação dão ainda conta que, em 2025, foram construídas cerca de 27.000 novas casas em Portugal, mais 11% do que no ano anterior, mas “menos de um quarto do valor registado no início do século”, tendo a quebra mais acentuada na construção ocorrido “durante e após a crise iniciada em 2011, com uma redução anual de 35% em 2012 e 2013”.
Por sua vez, no livro "O Papel da Casa nas Finanças Pessoais", da autoria de Ana Isabel Sá e publicado este ano pela FFMS, a ideia de que “Portugal é um dos países da zona euro com mais famílias a viver em casa própria” é desmontada como sendo “imprecisa”.
“Segundo o Eurostat, em 2024, 73% das famílias portuguesas moravam em habitação própria, o que, em comparação com a média da zona euro (65%), indica uma forte preferência pela aquisição de casa. No entanto, ao analisar o ranking dos países com maior percentagem de famílias a viver em casa própria, verifica-se que Portugal ocupa apenas a 9.ª posição entre os 20 países da zona euro”, precisa.
Já "verdadeira" é a perceção de que “Portugal tem pouca habitação social quando comparado com outros países da zona euro”.
De acordo com a publicação, embora não existam dados oficiais sobre a percentagem de habitação social em cada país da UE, a estimativa da OCDE aponta Portugal como um dos países com menor percentagem (1% em 2021), apenas à frente da Lituânia.
Já considerado “falso” é o conceito de que, “atualmente, a maior motivação dos portugueses para a compra de casa é a preferência por habitação própria, independentemente de ser ou não um bom investimento”.
“De acordo com o ‘Inquérito à Situação Financeira das Famílias de 2020’, […] apenas 24% das famílias que compraram casa entre 2011 e 2020 indicaram preferência por casa própria independentemente do retorno financeiro”, sendo que “a maioria apontou motivos económicos: 39% indicaram que a prestação do empréstimo era menor do que o valor da renda e 36% consideraram a compra um bom investimento”.
A publicação da FFMS elenca ainda como “verdadeiros” os conceitos de que “a maior parte dos arrendatários preferiria comprar casa, mas não tem condições financeiras para o fazer” e de que “os jovens portugueses compram casa mais tarde do que as gerações anteriores”.
Dados dos Censos de 2021 indicam que 42% dos jovens entre os 25 e os 34 anos (nascidos entre 1987 e 1996) tinham casa própria.
Na mesma idade, as gerações anteriores apresentavam uma percentagem de proprietários muito mais elevada: 61% para os nascidos entre 1977 e 1986, 70% para os nascidos entre 1967 e 1976 e 55% para os nascidos entre 1957 e 1966. A única exceção é a geração nascida entre 1947 e 1956, que registava 42% de proprietários para a faixa etária dos 25 aos 34 anos”, precisa.
Já como “imprecisa” é classificada a ideia de que “o problema da habitação poderia ser resolvido com a ocupação dos imóveis vagos”, tendo por base um estudo do Banco de Portugal segundo o qual “em alguns municípios localizados na área metropolitana do Porto, Grande Lisboa, Oeste, região de Aveiro e península de Setúbal, o número de imóveis vagos é relativamente reduzido face às pressões da procura”.
Ainda assim, o trabalho admite que, “para a maioria dos municípios, em teoria, seria possível diminuir essas pressões colocando os imóveis vagos no mercado de compra ou arrendamento”, embora “muitos destes imóveis" não possam ser colocados imediatamente no mercado "por necessitarem de obras de reabilitação, estarem associados a processos de heranças ou terem questões jurídicas pendentes”.