Portugal pode captar 500 milhões do turismo alemão perante instabilidade no Médio Oriente

O turismo global está a entrar numa nova fase em que a segurança assume um papel central na decisão de viagem, deixando de ser um pressuposto para se tornar um critério determinante, segundo o IPDT
Portugal pode captar 500 milhões do turismo alemão perante instabilidade no Médio Oriente
Foto: Reinaldo Rodrigues / Global Imagens
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A crescente instabilidade no Médio Oriente poderá abrir uma oportunidade para Portugal captar cerca de 500 milhões de euros em receitas turísticas provenientes do mercado alemão, revelou uma análise do IPDT – Tourism Intelligence.

De acordo com a informação disponibilizada esta segunda-feira, 6, o turismo global está a entrar numa nova fase em que a segurança assume um papel central na decisão de viagem, deixando de ser um pressuposto para se tornar um critério determinante.

A instabilidade no Médio Oriente, considerado um importante centro de conectividade intercontinental, está a provocar alterações estruturais na mobilidade turística mundial, com impactos nos custos operacionais, nas rotas aéreas e nos padrões de procura.

Neste contexto, Portugal surge como um destino competitivo, beneficiando da perceção de segurança.

O IPDT destacou o mercado alemão como particularmente relevante, referindo que, em 2024, cerca de três milhões de turistas alemães escolheram países do Médio Oriente para estadas superiores a cinco noites, com o Egito a concentrar a maior proporção.

Segundo as projeções, se Portugal conseguir captar 15% deste fluxo, poderá registar um aumento de cerca de 300 mil hóspedes, o que se traduziria em mais 2,4 milhões de dormidas e numa receita adicional estimada em 500 milhões de euros.

“O futuro do turismo português dependerá da nossa capacidade de antecipação e não apenas de reação”, referiu o presidente do IPDT, Jorge Costa, citado na análise, acrescentando que “num contexto onde viajar implica, cada vez mais, avaliar o risco, os destinos que se destacarão não serão apenas os mais desejados, mas os mais confiáveis”.

A análise indicou ainda que as viagens de longo curso deverão ser condicionadas sobretudo pelo aumento dos custos e da complexidade das deslocações, mais do que por questões de segurança, mesmo com a retoma do mercado asiático após a pandemia.

Além disso, prevê-se um reforço do turismo de proximidade, com países como Espanha e França a valorizarem Portugal como um destino seguro e com uma relação qualidade-preço competitiva.

O IPDT sublinhou, contudo, que a concretização deste potencial depende de fatores críticos, nomeadamente o reforço da conectividade aérea, a gestão eficiente de 'slots' e a valorização do aeroporto do Porto como 'hub' estratégico.

Defende também da necessidade de reduzir a pressão turística em Lisboa e no Algarve, promovendo outras regiões do país, como o interior e o Centro.

A entidade alertou que o principal risco não é a falta de procura, mas a capacidade de a gerir de forma equilibrada, evitando a sobrecarga das infraestruturas e a pressão sobre recursos naturais, como a água e a energia.

Segundo o IPDT, o sucesso de Portugal passará por políticas que incentivem a desconcentração da procura e a captação de segmentos de maior valor, consolidando o país como um destino seguro num contexto internacional marcado pela incerteza.

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