Portugal vê agravar o custo da dívida: levantados 1,6 mil milhões de euros a taxas acima de 3%

IGCP regressou ao mercado num contexto de forte turbulência e pagou 3,632% para financiar o Estado a nove anos, a taxa mais elevada desde março de 2017.
Portugal vê agravar o custo da dívida: levantados 1,6 mil milhões de euros a taxas acima de 3%
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O regresso do IGCP ao mercado obrigacionista ficou marcado por um aumento expressivo do custo de financiamento de Portugal. A agência colocou esta quarta-feira (9 de setembro) 1.631 mil milhões de euros em dívida, mas teve de pagar juros superiores a 3% nos três prazos colocados (três, oito e nove anos), num contexto de forte turbulência nos mercados internacionais.

A pressão foi mais evidente na linha de mais longo prazo, a nove anos, com vencimento em junho de 2035. Para captar 602 milhões de euros, o Estado aceitou uma taxa de juro de 3,632%, mais 30 pontos base do que no leilão de junho e a mais elevada desde março de 2017.

Ao todo, com esta operação, Portugal terá já assegurado cerca de 80% das necessidades de financiamento previstas para este ano.

Segundo a página do IGCP - Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública na agência Bloomberg, a três anos foram colocados 400 milhões de euros em 'OT 3,875% 15Fev2030' à taxa de 3,122%. A procura cifrou-se em 1.114 milhões de euros, 2,79 vezes o montante colocado.

A oito anos, o IGCP colocou 629 milhões de euros em 'OT 2,875% 20Out2034' à taxa de 3,559% e a procura atingiu 1.046 milhões de euros, 1,66 vezes o montante colocado.

No prazo de nove anos, o IGCP colocou 602 milhões de euros à taxa de juro de 3,632% e a procura cifrou-se em 914 milhões de euros, 1,52 vezes a oferta.

O IGCP - Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública tinha anunciado três leilões de OT com maturidades em 15 de fevereiro de 2030 (cerca de três anos e cinco meses), em 20 de outubro de 2034 (cerca de oito anos) e em 15 de junho de 2035 (oito anos e nove meses), com um montante indicativo global de entre 1.500 milhões de euros e 1.750 milhões de euros.

"Não há deterioração da perceção de risco"

Em comentário disponibilizado ao DN, Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, refere que "o leilão ocorreu num contexto de subida generalizada das yields soberanas, sobretudo por força do movimento da dívida core. A pressão recente sobre os Bunds [títulos de dívida pública emitidos pelo governo federal da Alemanha] e Treasuries [títulos de dívida pública dos EUA] tem sido alimentada pela subida do preço do petróleo e pelo consequente agravamento dos riscos inflacionistas, levando o mercado a rever em alta as expectativas para as taxas diretoras."

"Na Zona Euro, o BCE reúne já amanhã e o mercado praticamente desconta uma subida de 25 pontos base da taxa de depósito, para 2,50%. Neste contexto, é natural que as taxas de colocação das três linhas portuguesas tenham ficado acima das observadas em emissões comparáveis anteriores", acrescenta.

"A subida das yields portuguesas tem acompanhado essencialmente o movimento das curvas core, não refletindo, até ao momento, uma deterioração da perceção de risco sobre o soberano português. Os spreads da dívida periférica face à Alemanha têm-se mantido relativamente contidos, sugerindo que os investidores continuam confortáveis com o risco de crédito destes países", aponta.

Com Lusa

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