As empresas de turismo do Centro do país afetadas pelo mau tempo somam já prejuízos que ultrapassam os 15 milhões de euros. A depressão Kristin, que afetou vários municípios da região, resultou em perdas materiais de 11 milhões de euros para o setor e em quebras de faturação de 3,5 milhões de euros. A estes valores acrescem ainda outros prejuízos estimados em um milhão de euros, de acordo com dados do Turismo do Centro de Portugal (TCP) adiantados ao DN.
O levantamento que a entidade regional está a realizar junto dos oito mil negócios turísticos da região Centro é ainda preliminar, sendo expectável que os montantes finais venham a ser superiores.
Até à passada terça-feira, 385 empresas, entre empreendimentos turísticos, agentes de animação turística, agências de viagens, rent-a-car e estabelecimentos de restauração, reportaram danos. Leiria, Alcobaça e Coimbra são as regiões com maior número de relatos, seguindo-se Figueiró dos Vinhos, Tomar, Nazaré, Marinha Grande, Lousã e Lourinhã. O tipo de estrago mais identificado incide sobre a estrutura dos edifícios, com 202 respostas nesse sentido, seguindo-se as áreas exteriores e os equipamentos e infraestruturas.
Entre os inquiridos, perto de metade afirmam ter registado uma paragem total da atividade, enquanto 34% indicam uma paragem parcial e 20% referem não ter sofrido qualquer interrupção.
O presidente do TCP pede ao Governo uma “resposta rápida e concreta” para os empresários lesados, que passe pela disponibilização de apoios a fundo perdido. “Tudo o que o Governo conseguir fazer para ajudar estas empresas a restabelecer o máximo possível a sua atividade é importante e fundamental. É preciso liquidez imediata para reativar a atividade. Há empresas que estiveram paradas durante muito tempo e é fulcral uma medida a fundo perdido para retomar o negócio e manter os postos de trabalho”, refere ao DN Rui Ventura.
O responsável defende que o Executivo poderia ter ido mais longe em matéria de apoios destinados à recuperação das empresas fustigadas pelo mau tempo e relembra que esta é a segunda catástrofe que assola a região num espaço de seis meses, depois dos incêndios ocorridos em setembro do ano passado.
“O Governo poderia ter sido mais ambicioso para o setor do turismo. O território foi afetado primeiro pelos incêndios e, depois, por esta tempestade, o que é preocupante. É necessária muita resiliência para continuar a investir. É preciso injetar liquidez nos territórios, e não empréstimos porque, muitas vezes, os empresários não têm condições para contrair mais endividamento”, acrescenta.
Além das perdas materiais, as intempéries que atingiram o Centro no início do ano tiveram impactos indiretos, nomeadamente no cancelamento de reservas em regiões não afetadas. Rui Ventura explica que a repercussão mediática pressionou o cenário de perdas para o setor do turismo, levando portugueses e espanhóis - os dois principais mercados da região - a adiar os planos de viagem para o território.
“Houve o rebentamento de uma bomba por simpatia, ou seja, acabou por ter consequências em municípios que não foram atingidos. As pessoas tinham receio de vir para a zona e isso resultou, por exemplo, num Carnaval completamente perdido para Ovar. A região Centro tem 100 municípios e oito comunidades intermunicipais, mas apenas quatro foram afetadas”, esclarece.
O presidente do TCP assegura que os empresários estão já a arregaçar as mangas e a “lamber as feridas” de olhos postos na Páscoa. Para já, as reservas nos estabelecimentos de alojamento turístico estão “bastante abaixo” quando comparadas com o mesmo período de 2025 e o balanço final deverá ser “inferior” à mesma época festiva homóloga. Ainda assim, afirma, estão a ser concertados esforços para aproveitar este período e repor alguma liquidez.
“Já se perdeu o Carnaval e a Páscoa é agora um momento muito importante para o Centro. Neste momento há uma forte tentativa de recuperação, quer da hotelaria quer da restauração, e restantes empresas que operam no turismo do território, de forma a maximizar a época”, enquadra.
O responsável adianta ainda que estão a ser preparadas campanhas de promoção em parceria com o Turismo de Portugal, tanto no mercado interno como em mercados internacionais, com o objetivo de atrair turistas. Apesar do início de 2026 conturbado para o setor, Rui Ventura está confiante de que o desfecho do ano será positivo para a atividade.
“Apesar dos incêndios, em 2025 o turismo do Centro registou os melhores resultados de sempre. Os empresários são resilientes e têm conseguido contornar as adversidades, e acredito que este ano, com a cooperação de todos, seja igualmente um ano positivo”, remata.