Presença de mulheres nas novas tecnologias cai para 19%

Apenas 8% dos cargos de topo nas IT são ocupados por mulheres na Europa, revela estudo da McKinsey.
Presença de mulheres nas novas tecnologias cai para 19%
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A representação das mulheres no universo das novas tecnologias e IA é estruturalmente baixa e o fosso em relação ao homens está mesmo a agravar-se na União Europeia. A presença feminina no setor caiu de 22% em 2022 para 19% em 2025, indica o novo estudo Women in Tech and AI in Europe, da Mckinsey & Company, que avalia a representação feminina nas tecnologias e Inteligência Artificial. Portugal acompanha esta tendência, evidenciando um desalinhamento entre formação e presença no setor.

Um maior desnível entre mulheres e homens verifica-se nos cargos de topo: apenas 8% dos cargos de liderança sénior em tecnologia são ocupados por mulheres.

O estudo surge num contexto em que a McKinsey estima que a adoção de IA soberana poderá acrescentar mais de 480 mil milhões de euros anuais à economia europeia até 2030. No entanto, a concretização desse potencial dependerá da mobilização de talento qualificado e da expansão da base de liderança tecnológica, incluindo mulheres.

Apesar de um aumento na participação feminina em cursos STEM, que representam atualmente 33% das licenciaturas e 39% dos doutoramentos nestas áreas, essa evolução não se traduz numa presença proporcional no mercado de trabalho tecnológico. Além disso, apenas 13% dos cargos de gestão em tecnologia são ocupados por mulheres, percentagem que desce para 8% em cargos de direção e c-level.

O estudo identifica ainda um efeito estrutural da IA na redistribuição de funções. As mulheres estão sobrerepresentadas em áreas como gestão de produto (39%) e design (53%), que representam apenas uma pequena fração da força de trabalho tecnológica e onde a procura tem vindo a diminuir com a automação de tarefas, significando que as mulheres têm maior probabilidade de serem substituídas. Em contrapartida, o crescimento concentra-se em áreas como IA, dados, infraestrutura e engenharia de software, onde a representação feminina continua significativamente inferior.

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