

A França sofreu um novo revés no que diz respeito à credibilidade fiscal, com a agência Scope Ratings a rebaixar sua notação soberana de AA- para A+.
Esta atualização coloca a classificação do país ao mesmo nível das avaliações da agências Fitch e S&P. Enquanto isso, a Morningstar DBRS manteve sua nota em AA, mas reavaliou a perspectiva de estável para negativa.
A decisão da Scope é fundamentada por uma "deterioração sustentada das perspectivas fiscais", que se manifesta pelo aumento da dívida pública e défices persistentemente elevados, além de escassos avanços nas reformas estruturais.
Essa situação é agravada por um clima de instabilidade política, especialmente com as eleições presidenciais agendadas para o próximo ano.
O aviso surge depois de o governo francês ter reconhecido que o défice, ao invés de ser reduzido, deverá aumentar de 5,1% para 5,4% do PIB neste ano.
Além disso, o diferencial entre as obrigações francesas e alemãs a dez anos ultrapassou os 100 pontos base pela primeira vez em 14 anos.
Em resposta, Paris planeia implementar medidas no valor de 54 mil milhões de euros para reduzir o défice a 5% até 2027.
No entanto, a Scope expressa ceticismo quanto à capacidade do governo de efetivar esse ajuste, afirmando que "a dinâmica fiscal tem continuado a deteriorar-se".
A fragmentação política esperada, mesmo após as eleições, pode aumentar o risco de que as medidas necessárias para estabilizar a dívida sejam "diluídas, adiadas ou apenas parcialmente implementadas", diz a agência.
Além disso, o aumento significativo nos custos de financiamento desde janeiro deverá restringir ainda mais o espaço fiscal de França, obrigando o país a realizar um ajuste maior apenas para evitar que a dívida continue a crescer.