

A procura por casa deve abrandar, diz a agência de rating DBRS Morningstar, que encontra aponta três fatores para a tendência. Ainda assim, a oferta disponível no mercado continua a não ser suficiente para conter a subida dos preços... que vão continuar em alta.
Estas são as principais conclusões da análise realizada por aquela agência de rating intitulada Spain and Portugal: Demand Drivers of Rapid Property Price Growth to Slow, Supply Constraints to Persist, que incide sobre o mercado da habitação nos dois países da Península Ibérica.
"As várias condições que aumentaram a procura por habitação provavelmente vão perder ímpeto", na visão da agência.
Em primeiro lugar, "políticas de apoio governamental parecem temporárias", pode ler-se. Aqui inclui-se a isenção de IMT e Imposto de Selo (IS), que está em vigor em Portugal para jovens até aos 35 anos, mediante determinadas condições.
Ao mesmo tempo, "esperamos um menor crescimento populacional, à medida que os fluxos de imigração diminuem", em Portugal e Espanha.
Depois, a "deterioração da capacidade para comprar casa também pode enfraquecer a procura", num cenário que é particularmente visível na economia portuguesa. "Os preços da habitação avançaram significativamente em comparação com os salários em Portugal durante a última década", pode ler-se.
Esta é uma vertente "mais desafiante em cidades em que há uma concentração de atividade económica e mais limitações de oferta de casa", acrescenta-se na mesma análise.
A somar a isto, há um terceiro fator, ligado às maiores restrições de financiamento para a compra de casa. Recorde-se que, há cerca de um mês, o Banco de Portugal (BdP) propôs baixar a taxa de esforço de 50% para 45%, de forma a reduzir os riscos.
Há ainda a dizer que as pressões inflacionistas aumentaram com o início do conflito entre EUA e Irão, que provocou uma redução agressiva da oferta de petróleo à escala global, com o consequente aumento dos preços. Dito isto, o BCE subiu recentemente os juros (a Euribor a 12 meses subiu de 2,2% para 2,8% entre fevereiro e junho de 2026), de forma a conter a subida dos preços. A medida tem um aumento direto no custo de pedir e pagar um empréstimo e o crédito à habitação torna-se, por isso, mais caro para o consumidor.
Ao mesmo tempo que a procura tem tendência para abrandar, não há luz ao fundo do túnel para um aumento significativo do lado da oferta. A consequência mais provável será a manutenção da inflação agressiva no setor.
"Não esperamos que a oferta de habitação em Espanha e Portugal iguale a procura a curto prazo", assinala-se. "A fraca construção desde que o mercado habitacional colapsou em 2008 é a principal razão para os constrangimentos estruturais", salientam os analistas.
Em causa está, de forma parcial, "a falta de trabalhadores na construção e subida dos custos dos materiais e da mão de obra", assim como restrições causadas pela burocráticas. Os compradores estrangeiros intensificam o problema e "o boom do turismo fez aumentar as estadias de curto prazo", gerando externalidades negativas que "vão provavelmente agravar os desequilíbrios entre a oferta e a procura", aponta-se ainda.