

A Agência Internacional de Energia (AIE) reviu em baixa as suas previsões e antecipa agora uma queda da procura global de petróleo de 1,1 milhões de barris por dia este ano face a 2025, uma revisão que incorpora os efeitos do conflito no Médio Oriente e do encerramento do estreito de Ormuz.
No seu relatório mensal sobre o mercado petrolífero, a AIE cortou em 700 mil barris por dia as estimativas para 2026 em comparação com as projeções de maio, apesar do acordo anunciado entre os Estados Unidos e o Irão.
A organização atribui a redução à subida de preços decorrente do início da guerra a 28 de fevereiro e ao bloqueio do principal corredor marítimo, que provocou uma quebra de oferta de cerca de 5 milhões de barris por dia (4,8%) no segundo trimestre — a primeira descida trimestral desde 2020.
A reabertura prevista do estreito de Ormuz, cuja formalização do acordo deverá ocorrer na sexta‑feira na Suíça, é vista como um fator que pode restaurar fluxos de crude e apoiar um aumento do consumo, mas a recuperação será gradual.
A AIE espera que a procura continue abaixo dos níveis de 2025 ao longo do terceiro trimestre — menos 1,7 milhões de barris por dia — e só nos últimos três meses do ano antecipa volumes superiores aos de 2025 em 1,1 milhões de barris por dia.
Para 2027, a agência projeta uma recuperação mais robusta do consumo, com um crescimento de cerca de dois milhões de barris por dia, à medida que os fluxos do Golfo Pérsico regressarem e os preços do petróleo recuarem.
Por outro lado, a oferta continuará volátil, já que a produção deverá cair 3,9 milhões de barris por dia em 2026 face a 2025, fixando‑se nos 102,4 milhões de barris diários, antes de um forte aumento projetado de oito milhões de barris por dia em 2027.
Em maio foram disponibilizados ao mercado apenas 94,5 milhões de barris diários — menos 600.000 do que em abril e 13,6 milhões abaixo dos níveis anteriores ao conflito — e as reservas dos países da OCDE sofreram um declínio pronunciado.
“Apesar da queda significativa na procura de petróleo, as reservas continuam a diminuir a um ritmo recorde”, nota a AIE, que estima uma perda de 163 milhões de barris nas reservas da OCDE desde o início da guerra no Médio Oriente.
A redução acelerou em maio, com uma perda adicional de 143 milhões de barris.
A agência sublinha que as projeções para 2027 permanecem envoltas em elevada incerteza, dependentes dos detalhes do acordo entre Estados Unidos e Irão e das garantias sobre a navegação no estreito de Ormuz.