Produção da OPEP e Emirados Árabes Unidos sobe 7,5% em julho mas fica abaixo de nível pré-guerra

Em geral, apenas o Congo, Gabão e Nigéria produziram menos petróleo em julho do que em junho, segundo os dados das fontes independentes mencionadas pela OPEP.
Produção da OPEP e Emirados Árabes Unidos sobe 7,5% em julho mas fica abaixo de nível pré-guerra
Frederic J. Brown / AFP
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Os onze países da OPEP e os Emirados Árabes Unidos aumentaram a extração de petróleo para 23,63 milhões de barris diários em julho, mais 7,5% do que em junho, mas abaixo dos níveis anteriores à guerra.

Os números de observadores independentes publicados esta quarta-feira no relatório mensal da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) confirmam a recuperação, depois da queda provocada pelo conflito e o subsequente encerramento do estreito de Ormuz, por onde é transportado habitualmente cerca de 20% do petróleo no planeta.

A OPEP continua a incluir na sua produção conjunta a produção dos Emirados, um país que anunciou a saída do cartel em maio.

Sem contar com aquela produção, o aumento da extração conjunta dos onze membros restantes é ainda maior, de 9%.

Exceto os Emirados, todos os países do grupo no Golfo Pérsico, os mais afetados pela guerra e pelos problemas de navegação em Ormuz, aumentaram as respetivas extrações.

A Arábia Saudita, líder da OPEP e principal exportador de petróleo do mundo, elevou a extração em 8,7%, o Iraque disparou 34%, o Kuwait, 27%, e até mesmo o Irão aumentou as extrações de junho para julho em 26.000 barris diários, apenas 1%.

Também subiram a produção a Guiné Equatorial (21,74%), Argélia (0,8%), Líbia (3%) e Venezuela (1,2%).

Em geral, apenas o Congo, Gabão e Nigéria produziram menos petróleo em julho do que em junho, segundo os dados das fontes independentes mencionadas pela OPEP.

Em qualquer caso, e apesar desse novo aumento da extração, depois dos de junho, a produção conjunta em julho da OPEP foi ainda 17% inferior à de janeiro, justamente antes de começarem os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão.

O aumento da extração conjunta da OPEP compensa a queda da produção dos dez países não membros do grupo, mas associados desde 2016, entre os quais se encontram a Rússia, México, Cazaquistão e Azerbaijão.

Esta aliança, conhecida como OPEP+, extraiu em julho 37,6 milhões de barris por dia, mais 4% do que no mês anterior.

Àquela produção é preciso somar 8,7 milhões de barris por dia de outro tipo de hidrocarbonetos, com o que ficariam cobertos com folga 42 milhões de barris por dia nos quais a OPEP estima que é a procura de petróleo para 2026 daquela aliança de produtores.

Em 02 de agosto, a aliança indicou que em setembro começará a introduzir no mercado mais 188.000 barris diários.

Com este novo aumento da extração, pelo sexto mês consecutivo, ficará completa, pelo menos no papel, a redução de fornecimento de 1,65 milhões de barris diários acordada em 2023, quando o grupo ainda incluía os Emirados Árabes Unidos.

Embora a OPEP não mencione expressamente no relatório a guerra no Irão, refere-a várias vezes como os riscos geopolíticos têm provocado uma elevada volatilidade dos preços do petróleo.

No entanto, a OPEP aponta que a economia mundial começou o segundo semestre do ano com um impulso encorajador, depois de uma primeira metade do ano caracterizada pela resiliência e estabilidade.

"Isto ocorre apesar do ressurgimento das tensões geopolíticas, em particular a partir do início do terceiro trimestre de 2026, e das incertezas associadas", analisam os especialistas da OPEP.

De facto, a OPEP mantém quase inalterada a estimativa de consumo de petróleo em 2026, em 105,74 milhões de barris de petróleo diários, quase mais 0,6% do que no ano passado.

Para 2027, a OPEP calcula que o consumo diário mundial atingirá 107,9 milhões de barris, mais 2,16%, com a China, a Índia e outros países da Ásia a liderar o aumento do consumo.

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