Produtores de leite exigem reposição imediata de preço e alertam para risco  de abandono da atividade
Miguel Pereira/Global Imagens

Produtores de leite exigem reposição imediata de preço e alertam para risco de abandono da atividade

Aprolep diz que a descida do preço por litro, decretado pelas cooperativas, chega numa fase em que os custos com combustíveis, rações e fertilizantes sobem e em que as ondas de calor ameaçam reduzir a produção de milho‑silagem — o que encarece e diminui o alimento para o gado.
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Os produtores de leite exigem a reposição imediata do preço pago ao produtor em setembro, depois de várias cooperativas anunciarem reduções que, dizem, colocam em risco a continuidade da atividade num contexto de aumento dos custos e de eventos climáticos adversos.

“Estas descidas vão provocar o abandono da atividade por parte dos mais velhos e vão desanimar os jovens que pensavam investir e instalar‑se na produção de leite”, afirma a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) num comunicado divulgado esta terça-feira, 4 de agosto.

Segundo a Aprolep, as cooperativas integradas na Lactogal comunicaram no final de julho uma descida de 1,5 cêntimos por litro, aplicável desde 1 de agosto em todo o território continental. Nas ilhas, na sequência desta decisão, a Prolacto e a Insulac reduziram o preço em S. Miguel em dois e 1,5 cêntimos por litro, respetivamente, justificando‑o com a evolução dos mercados nacional e internacional.

A associação alerta que a medida chega numa fase em que os custos com combustíveis, rações e fertilizantes sobem e em que as ondas de calor ameaçam reduzir a produção de milho‑silagem — o que encarece e diminui o alimento para o gado.

A Aprolep sublinha também o impacto dos incêndios e do abandono dos territórios rurais, lembrando que “os campos cultivados alimentam o país e protegem as populações”.

A organização considera as reduções injustas, alegando que o preço do leite em Portugal não acompanhou as subidas observadas no Norte da Europa ou em Espanha, e critica a menor dimensão das ajudas públicas nacionais face às concedidas aos produtores espanhóis após choques externos.

Perante isto, a Aprolep “desafia os restantes compradores a manter o preço do leite ao produtor e desafia quem desceu a repor o preço no próximo mês de setembro”.

Além do pedido de reposição, a associação propõe um maior enfoque na transformação local — queijos, iogurtes e outros derivados — para reduzir as importações que, segundo a Aprolep, geram um défice de 400 milhões de euros.

A organização apela igualmente às indústrias e cooperativas que “partilhem os resultados através do melhor preço aos produtores”, de modo a assegurar a viabilidade das explorações e permitir investimentos futuros.

Por fim, a Aprolep apelou novamente ao consumo de leite nacional e outros produtos lácteos, pela sua qualidade e por serem "mais próximos, mais frescos", bem como por beneficiarem a economia portuguesa.

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